O Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) apelou ao reforço do perdão e da unidade entre os cidadãos em prol do desenvolvimento do país.
O posicionamento da instituição foi expresso pelo bispo da Igreja Metodista Unida, Gaspar João Domingos, durante a sua intervenção, ontem, na cerimónia de inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, em Luanda.
“Amadas e amados, filhos e filhas desta terra abençoada por Deus, chegou o momento de olharmos uns para os outros não como inimigos, mas como irmãos unidos pela mesma pátria e criados à imagem do mesmo Deus”, exortou o prelado.
Gaspar João Domingos lembrou que o país tem uma trajectória marcada por sofrimentos e feridas profundas, com muitos cidadãos a carregarem ainda as marcas do passado. Diante disso, considerou a inauguração do monumento um acto de justiça histórica, sublinhando que o espaço consagrado não serve para reabrir feridas, mas para que as novas gerações conheçam a verdade e evitem a repetição de erros anteriores.
O líder religioso recorreu à passagem bíblica de Mateus 5:9 para insistir na necessidade de cada angolano ser um instrumento de pacificação na sua família, comunidade e igreja.
O bispo defendeu ainda que os líderes governamentais sirvam com justiça e que a juventude escolha sempre o diálogo em vez da violência.
“Angola precisa de menos ódio e mais amor, menos divisão e mais união, menos vingança e mais justiça. Com a ajuda de Deus, podemos construir um futuro em que os nossos filhos e netos herdem não o peso das nossas divisões, mas a bênção de uma nação reconciliada”, concluiu o bispo metodista.
Paz é determinante para os angolanos
A cultura de paz é essencial para o progresso económico e social de Angola, defendeu ontem, em Luanda, o ministro da Cultura, Filipe Zau.
A afirmação foi feita durante a inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, ocasião em que o governante apontou o desenvolvimento do país como um dos grandes objectivos nacionais.
Na sua abordagem, Filipe Zau enumerou a reconciliação nacional, a consolidação do Estado Democrático de Direito e o respeito pelos direitos humanos como elementos indispensáveis nessa equação. “Só podemos ter progresso e desenvolvimento se houver paz", enfatizou o ministro, que classificou o novo monumento como um passo marcante no processo de pacificação social.
“Quando falamos de valores, a paz é o valor primordial para que tudo possa ocorrer”, salientou. O governante ressaltou ainda que a infra-estrutura reforça a importância que o Estado angolano atribui à necessidade de promoção e preservação da estabilidade e da concórdia nacional.
Memorial unificou várias sensibilidades
O Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos é o resultado de um profundo exercício de reflexão, diálogo e criação técnica que envolveu diferentes sensibilidades e perspectivas, avançou o director do Gabinete de Obras Especiais (GOE), Leonel Cruz.Falando durante o acto inaugural da infra-estrutura, que ficou marcado por um forte espírito de união e fraternidade, o responsável explicou que, acima dos desafios formais e construtivos, prevaleceu sempre o consenso em torno de um conceito focado na incorporação de elementos representativos da diversidade cultural nacional.
LUÍS JIMBO:“Monumento marca nova fase do processo de reconciliação”
“O Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos marca uma nova etapa no processo de reconciliação nacional, trazendo um profundo sentimento de dignidade às famílias que perderam os seus entes queridos. Hoje, os familiares sentem-se mais orgulhosos e os netos já contam a história dos seus avós com honra. O passo decisivo para o trabalho da CIVICOP foi dado pelo Presidente da República, João Lourenço, ao pedir publicamente desculpas em nome do Estado pelos acontecimentos violentos ocorridos no país.”
REI EKUIKUI VI:“Honrar os antepassados com um enterro digno”
“A CIVICOP deve continuar a trabalhar, porque ainda existem muitas vítimas dos conflitos políticos que precisam de ser exumadas. Temos vindo a apelar às populações e às autoridades tradicionais para que colaborem com informações fiáveis, permitindo que os corpos sejam localizados e entregues às suas famílias. Afinal, faz parte da nossa cultura e das nossas tradições honrar os antepassados com um funeral digno.”
MARA QUIOSA:“A nossa História num edifício emblemático”
“Este é um Memorial que vem homenagear todas as vítimas dos conflitos políticos ocorridos no nosso país. São homens, mulheres, jovens e crianças que pereceram; pessoas que, com o seu sangue e suor, tudo fizeram para que Angola pudesse alcançar a paz e reerguer-se. Agora, as nossas famílias conseguem finalmente encontrar alento e conforto. A paz continua a ser o nosso principal activo.”
BENEDITO DANIEL:“Monumento unearquitectura e história”
“O mais impressionante neste Monumento é a forma como consegue conciliar a arquitectura com a memória dos acontecimentos reais do passado. Aqui fica uma História viva que será transmitida para sempre às gerações vindouras”.
RAINHA NHAKATOLO:“Oportunidade para aproximar famílias”
“Estamos felizes com este acto, pois é uma oportunidade para encontrarmos soluções e aproximarmos as pessoas e as famílias, tendo em conta o que aconteceu no passado. Todos nós temos de abraçar esta causa. Encorajo, por isso, o Presidente da República a continuar com este processo, apesar das dificuldades. Desejo-lhe coragem e que tudo corra bem.”
EMBAIXADORA BELÉN ORSINI PIC:“Inauguração marca um dia memorável”
“Esta inauguração marca um dia memorável num processo histórico que o povo venezuelano admira profundamente, pois Angola demonstra a sabedoria de aliar a reconciliação ao desenvolvimento e a um futuro promissor. Felicitamos o Governo angolano por este esforço contínuo e pela estratégia de promover a coesão e a unidade de toda a sociedade.”
ABEL CHIVUKUVUKU:“Memorial representa tudo que Angola foi”
“O Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, agora inaugurado, representa tudo aquilo que Angola foi desde a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975. O mais importante é que saibamos construir como irmãos reconciliados”.




