Os presidentes e representantes das Instituições Superiores de Controlo (ISC) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defenderam, quinta-feira, em Luanda, a celeridade da transformação digital, o reforço da transparência e a promoção da sustentabilidade na gestão dos recursos públicos.
O posicionamento foi vincado durante a reflexão sobre “O Papel das ISC na Transformação Digital, Sustentabilidade e Transparência”, no qual os representantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Brasil partilharam experiências sobre a modernização dos sistemas de fiscalização, a utilização da inteligência artificial e os desafios associados à segurança da informação e à formação dos profissionais.
A directora-geral do Tribunal de Contas de Portugal, Conceição Ventura, destacou as possibilidades oferecidas pela inteligência artificial no processamento de documentos, na pesquisa jurídica e na análise da contratação pública.
A responsável explicou que estas ferramentas podem apoiar os auditores na identificação de possíveis irregularidades e na consulta de legislação, decisões e relatórios relevantes para o exercício das suas funções.
Moçambique aposta na modernização
A juíza-presidente do Tribunal Administrativo de Moçambique, Ana Maria Gemo Bié, salientou os esforços daquela instituição para modernizar os seus meios de trabalho, através da adopção de soluções tecnológicas destinadas à gestão administrativa, documental e processual.
Participação dos cidadãos
Por sua vez, o representante da Guiné-Bissau, Ibraima Baldé, compartilhou a digitalização dos processos e a criação de mecanismos electrónicos de denúncia como instrumentos importantes para reforçar a participação dos cidadãos na fiscalização da gestão da coisa pública.
O responsável considerou que a modernização administrativa contribui para acelerar o acesso aos do- cumentos, reforçar a transparência e melhorar o funcionamento institucional.
Valorização do capital humano
Por seu turno, o juiz conselheiro do Tribunal de Contas Carlos Luís Miguel António, enfatizou o compromisso da instituição com a transformação digital, através de um projecto orientado para a modernização dos procedimentos de fiscalização e para a futura utilização de ferramentas de inteligência artificial na actividade de auditoria.
O magistrado explicou que o objectivo é melhorar os métodos de trabalho, reforçar a capacidade de análise de dados e aumentar a eficiência dos processos de controlo das finanças públicas.
A directora da Câmara de Contas do Timor-Leste , Edigia Martins, falou da importância de modernizar os procedimentos de auditoria, melhorar o acesso à informação financeira e reforçar a capacidade de identificação de riscos e de possíveis irregularidades.
Macau privilegia eficiência e formação
Já o director dos Serviços de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) , Neoh Hwai Beng, falou sobre a importância de adoptar uma estratégia de transformação digital assente na eficiência, na utilização racional dos recursos e na valorização do capital humano.
Cooperação
O auditor do Tribunal de Contas da União do Brasil, Luís Gustavo, recordou aos participantes a importância de fortalecer os laços entre as instituições e de criar oportunidades para a participação das novas gerações de auditores.
O responsável considerou que a partilha de conhecimentos entre os países permite aproveitar experiências bem-sucedidas e desenvolver soluções ajustadas aos desafios comuns da fiscalização pública.




