A IV edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz tem início hoje no Palácio de Convenções, em Luanda.
O certame foca-se no reforço da gestão hídrica no continente como ferramenta de diplomacia e estabilidade.
O evento bienal resulta de uma iniciativa conjunta do Governo de Angola, da UNESCO e da União Africana (UA).
De acordo com a agenda oficial, o discurso de abertura será proferido pelo Presidente da República, João Lourenço. A cerimónia vai contar ainda com as intervenções do alto representante para a Iniciativa Silenciar as Armas, Mohamed Chambas — em representação do presidente da Comissão da UA —, e do director-geral da UNESCO.
Sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, o fórum está estruturado em quatro painéis temáticos.
O primeiro abordará a diplomacia da água e a cooperação transfronteiriça, enquanto o segundo debaterá a cidadania científica e a inclusão de mulheres e jovens.
Na sessão de abertura dos debates, os analistas vão sublinhar que a partilha pacífica de bacias hidrográficas entre nações vizinhas é um dos maiores desafios geopolíticos de África, exigindo acordos jurídicos sólidos para evitar tensões.
Em paralelo, a discussão sobre o envolvimento comunitário deve deixar claro que a gestão da água não pode ser decidida apenas em gabinetes ministeriais.
É fundamental democratizar o acesso ao conhecimento e garantir que as mulheres — historicamente as mais afectadas pela escassez hídrica — e a juventude tenham voz activa na formulação de políticas públicas locais.
O terceiro painel analisará o nexo entre alterações climáticas, migração e conflitos, e o quarto fechará o roteiro com foco no financiamento inovador, infra-estruturas e parcerias público-privadas. Os prelectores pretendem demonstrar como as secas prolongadas e a escassez de recursos hídricos têm forçado o deslocamento interno de populações, gerando novas pressões sociais e disputas territoriais em várias regiões de África.
Diante deste cenário desafiante, o debate final apontará caminhos económicos viáveis, sublinhando que a modernização das redes hídricas exige a captação de investimento privado e a criação de fundos verdes resilientes. O evento reúne governos, cientistas e a sociedade civil com o propósito de transformar o diálogo em acções sustentáveis para o continente.




