A capacitação das pessoas para o fomento da agricultura familiar é a espinha dorsal do nosso sistema de produção alimentar em África, afirmou, hoje, o Presidente da República, João Lourenço, na Itália.
Ao discursar no Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, o Presidente afirmou que África possui um enorme e vasto potencial de recursos para desenvolver uma agricultura florescente.
No entanto, justificou o Chefe de Estado, confronta-se com o problema da fome e da desnutrição, o que não é, a todos os títulos, aceitável, mas impõe-se que se reconheça que as realidades que se observam no continente são o reflexo da combinação dos vários factores que já enumerei, de entre os quais os conflitos armados, os problemas que decorrem das alterações climáticas e da necessidade da capacitação das pessoas.
Segundo João Lourenço, este problema que se enfrenta no continente africano impõe agora o desafio de reverter este quadro com políticas realistas concebidas com base nas capacidades de utilização dos meios técnicos e tecnológicos disponíveis, no melhoramento das práticas assentes sobre os conhecimentos tradicionais e na formação das pessoas a todos os níveis.
“África tem o potencial para ser o celeiro do mundo, dispõe de abundantes terras aráveis, imensos cursos de água entre rios e grandes lagos, no geral bom clima, sol”, defendeu o estadista angolano.
Sublinhou ainda que precisamos de investidores com recursos, tecnologia e transmissão de conhecimento aos nossos jovens para aumentarmos a produtividade por hectare, a qualidade do produto colhido e o volume global de produção, aumentar as exportações de produtos agrícolas e pecuários, contribuindo mais para a formação do Produto Interno Produto dos nossos países.
Durante o seu discurso, João Lourenço destacou, ainda, o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do país (PCESSA), que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe, orçado em 4.2 mil milhões de dólares americanos, já parcialmente executado e que vai contribuir significativamente no combate contra a fome e a pobreza.
O programa compreende a construção de albufeiras para armazenar milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene e centenas de quilómetros de canais a céu aberto para servir as pessoas e desenvolver a agricultura e pecuária em qualquer estação climática do ano.
Por fim, reiterou que a segurança alimentar é um objectivo e uma prioridade que só se conseguirá concretizar com benefícios para todos, no quadro de um esforço conjugado em que, em função das responsabilidades e valências específicas de cada um.
Apelou a intervenção dos governos, do sector privado, instituições científicas, organizações não-governamentais, da sociedade civil e outras entidades que, no seu conjunto, garantem a abordagem transversal desta importante questão e a possibilidade de uma solução integrada do problema.
“É urgente trabalharmos no sentido de aperfeiçoar o modelo de cooperação internacional, que se deve orientar no sentido de abandonar a lógica assente na dominação de uns sobre outros e na obtenção de vantagens que ignoram interesses de terceiros, factos que geram tensões e inviabilizam o diálogo e a concertação necessárias à formulação e à implementação de estratégias que garantam a paz, a estabilidade e a segurança mundial”, apelou o Presidente da República.




