O Presidente da República, João Lourenço, defendeu uma maior mobilização dos recursos financeiros africanos para reduzir a dependência do continente em relação ao financiamento externo.
O Chefe de Estado angolano falava no Egipto, durante a Oitava Reunião de Coordenação Semestral entre a União Africana e as Comunidades Económicas Regionais, onde apresentou também o relatório sobre as contribuições da Agência de Desenvolvimento da União Africana, AUDA-NEPAD, para o aprofundamento da integração regional.
João Lourenço considerou que o actual contexto internacional, marcado por maior pressão sobre o financiamento ao desenvolvimento e pela exposição das economias africanas a choques externos, exige que os países do continente reforcem a capacidade de mobilizar o seu próprio capital.
Neste sentido, defendeu a utilização crescente de capital público, privado e institucional africano para financiar projectos considerados prioritários para o desenvolvimento do continente.
O Presidente angolano destacou, neste âmbito, os resultados da Cimeira de Luanda sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África, que permitiu arrecadar 43,9 mil milhões de dólares para projectos nos sectores dos transportes, energia, água e infra-estruturas digitais.
João Lourenço apontou ainda a mobilização de mais de 54 mil milhões de dólares em activos de fundos de pensões, através da chamada Agenda dos 5% da AUDA-NEPAD, como exemplo do potencial do capital institucional africano para financiar o desenvolvimento do continente.
Para o Presidente angolano, o reforço da integração económica, das infra-estruturas regionais e do comércio intra-africano deve caminhar lado a lado com a mobilização de recursos próprios, de forma a aumentar a autonomia económica e a resiliência de África.
A posição surge num contexto em que a União Africana tem defendido mecanismos próprios de financiamento para reduzir o défice de infra-estruturas e aumentar a capacidade do continente de financiar o seu desenvolvimento.




