Jornalistas provenientes de várias províncias do país reforçaram, ontem, em Luanda, conhecimentos sobre a actuação nos processos eleitoral e autárquico, para assegurar uma participação mais activa e tecnicamente dos profissionais da Comunicação Social nos desafios que se avizinham.
O seminário decorreu nas instalações da Rádio Ecclesia, numa iniciativa desta estação radiofónica afecta à Igreja Católica, durante o qual foram transmitidas técnicas e ferramentas destinadas a melhorar a cobertura e a comunicação dos processos eleitorais.
Durante a formação, o jornalista Teixeira Cândido defendeu a continuidade da realização de iniciativas do género, considerando importante promover acções de capacitação e disponibilizar informação sobre os processos eleitorais aos profissionais da Comunicação Social.
Segundo o jornalista, um dos principais desafios está relacionado com a qualidade da informação difundida pelos órgãos de Comunicação Social durante os períodos eleitorais. “Algumas vezes, essa informação se confunde, basicamente, com uma simples transmissão das promessas dos partidos políticos ou dos candidatos”, alertou.
Para Teixeira Cândido, sempre que os jornalistas divulgarem promessas eleitorais, devem confrontá-las com dados, cruzar números e ouvir especialistas capazes de avaliar a sua exequibilidade.
Neste contexto, o jornalista acrescentou que só desta forma será possível contribuir para campanhas mais realistas e, sobretudo, permitir que os cidadãos tenham acesso à informação capaz de os ajudar a tomar decisões conscientes.
Informação deve ir além dos tempos de antena
O jornalista criticou a tendência de alguns órgãos de Comunicação Social se limitarem a reproduzir os conteúdos apresentados nos tempos de antena dos partidos políticos e candidatos.
Neste caso particular, Teixeira Cândido defendeu uma cobertura jornalística capaz de contextualizar os acontecimentos e apresentar aos cidadãos elementos que lhes permitam compreender as propostas políticas.
O jornalista apelou à Rádio Ecclesia e aos demais órgãos de Comunicação Social para promoverem regularmente iniciativas de capacitação, quer no âmbito das próprias redacções, quer através de parcerias com outras instituições.
“O que se pretende é um jornalismo à altura das expectativas dos cidadãos, um jornalismo coerente com aquilo que é a democracia e um jornalismo de quadade”, afirmou.
Visão dos participantes
O jornalista da Rádio Ecclesia Osvaldo Mutateno considerou a formação proveitosa, destacando a utilidade dos conhecimentos adquiridos para o exercício da profissão.
“Foi um exercício proveitoso. Conseguimos retirar aquilo de que nós, enquanto profissionais de Comunicação Social, precisávamos”, afirmou.
Já o jornalista da TV Zimbo Kinavuidi Barbosa defendeu a continuidade das acções de capacitação, por considerar que contribuem para um trabalho jornalístico mais rigoroso. “Quanto mais capacitados estivermos, mais preparados estaremos para fazer um trabalho tecnicamente mais apurado”, afirmou.
Miguel Brás e Arcénia Vemba




