A transformação económica de África não depende apenas de políticas económicas assertivas, mas também da qualidade, profundidade e eficiência dos sistemas financeiros, disse o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Ao discursar esta terça-feira, 3 de Novembro, em Luanda, na abertura do Africa Financial Summit (AFIS) 2026, o governante apontou a capacidade de atrair investimento, transformar poupança em investimento produtivo e financiar empresas competitivas como factores essenciais para o desenvolvimento económico.
Segundo José de Lima Massano, o processo de transformação da economia exige igualmente o apoio ao empreendedorismo, o desenvolvimento de infra-estruturas e a criação de oportunidades para os cidadãos.
Na ocasião, disse que as receitas bancárias do continente ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares em 2024, com níveis de rendibilidade comparáveis aos dos principais mercados emergentes.
“Temos no continente instituições financeiras cada vez mais rentáveis, mas o crédito ao sector privado permanece limitado em muitas das nossas economias”, realçou.
O dirigente afirmou que sectores os agricultura e da indústria transformadora, assim como os operadores de pequenas e média dimensão, continuam insuficientemente financiados.
“Em África, estima-se que cerca de 85 por cento do emprego se encontre na economia informal. Esta realidade limita a arrecadação fiscal e restringe o acesso aos serviços bancários e ao crédito”, sublinhou.
Para o ministro de Estado, a digitalização dos serviços financeiros, incluindo a utilização de soluções baseadas em inteligência artificial, pode contribuir para a redução de custos e criação de novos instrumentos de avaliação de risco.
Na ocasião, o ministro de Estado destacou ainda que o investimento feito por Angola nas infra-estruturas de energia, águas, transportes, vias rodoviárias e telecomunicações, conferem ao país condições para desempenhar um papel cada vez mais relevante nas cadeias regionais de produção e de distribuição.
José de Lima Massano indicou igualmente que Angola possui uma economia aberta, dinâmica e oferece oportunidades de investimento numa diversidade crescente de sectores.
“O sistema financeiro tem uma responsabilidade decisiva neste processo. Queremos instituições capazes de acompanhar esta transformação, identificar oportunidades, assumir riscos de forma criteriosa e mobilizar recursos para financiar os sectores que continuarão a sustentar o crescimento da nossa economia”, sublinhou.
Para o governante, as próximas décadas serão decisivas para determinar o lugar de África na economia mundial, devendo o continente financiar a sua industrialização, acelerar a sua integração económica, desenvolver as suas infra-estruturas e criar mais oportunidades para os seus cidadãos.
“O desafio é imenso. Mas, ainda maior, é o potencial de África”, sublinhou.
Neste sentido, defendeu o aprofundamento da cooperação entre as instituições, o reforço da confiança nos mercados, a mobilização das poupanças e o direcionamento do capital para as prioridades estratégicas do continente e para a construção de uma economia africana mais integrada, competitiva e próspera.




