A candidata angolana ao cargo de directora-geral FAO, embaixadora Josefa Sacko, defendeu uma nova etapa de renovação da Organização, assente em resultados concretos, financiamento sustentável e prosperidade partilhada.
A diplomata falava esta segunda-feira, 12 de Setembro, em Roma, Itália, no âmbito da apresentação da sua candidatura à liderança da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO).
A candidata apresentou uma visão orientada para o reforço da capacidade de resposta da FAO aos desafios da fome, das alterações climáticas, da degradação dos solos e dos recursos hídricos, bem como das dificuldades de acesso ao financiamento para o desenvolvimento agroalimentar.
A embaixadora disse que os conhecimentos científicos, a tecnologia e os recursos disponíveis no mundo devem traduzir-se em benefícios concretos para agricultores, pescadores, pastores e famílias que dependem destes sectores para a sua subsistência.
Josefa Sacko defendeu ainda uma FAO tecnicamente independente, mais ágil e próxima dos países, capaz de transformar os compromissos globais em resultados visíveis para as populações.
Como propostas, destacou a criação de pactos voluntários de resultados para países livres da fome, assentes em resultados definidos pelos próprios países, uma carteira única de investimentos e divisão de responsabilidades entre a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e outros parceiros.
A meta inicial consiste em estabelecer 50 pactos nos primeiros 24 meses, para assegurar que pelo menos 60 por cento incluam objectivos explícitos de resiliência climática.
A candidata propôs igualmente o reforço da capacidade científica e estatística da FAO, através da criação de uma plataforma comum de inteligência artificial e dados agroalimentares, para melhorar os sistemas de alerta precoce, o aconselhamento agrícola e o planeamento dos investimentos.
Josefa Sacko também apresenta como proposta um pacto de renovação para os primeiros 100 dias de mandato, elaborado em conjunto com os Estados-Membros, a direcção e os funcionários da organização, com objectivo de eliminar constrangimentos ao seu funcionamento.
No domínio financeiro, considerou fundamental diversificar as fontes de financiamento, reforçar a mobilização de recursos internos e alinhar os orçamentos nacionais e bancos públicos de desenvolvimento com os investimentos necessários para acabar com a fome, incluindo a cooperação Sul-Sul e triangular, e estabelecer uma parceria transparente com o sector privado.
Com base na iniciativa Mão na Mão (Hand-in-Hand), propôs para o primeiro mandato a criação de uma plataforma global de preparação de investimentos agroalimentares, com a meta de transformar os planos nacionais em programas financiáveis e capazes de atrair investimentos para uma carteira de projectos no valor de 10 mil milhões de dólares.
Ao apresentar-se como candidata africana ao serviço de todos os Estados-Membros, Josefa Sacko destacou a contribuição de África para a construção de soluções globais, através da experiência, da inovação e da resiliência, num espírito de equidade e responsabilidade partilhada entre as diferentes regiões.
Por fim, apelou à confiança dos Estados-Membros numa FAO renovada, mais próxima dos países, com financiamento sustentável a longo prazo e maior capacidade para “assegurar uma melhor produção, melhor nutrição, melhor ambiente e melhor vida para todos”.
“Juntos, podemos passar do conhecimento à concretização de resultados”, afirmou.




