Uma conferência sobre o legado político e histórico de Fidel Castro assinalou, ontem, na Academia Diplomática Venâncio de Moura, em Luanda, o centenário do antigo líder cubano, reunindo membros do Executivo, corpo diplomático, especialistas, académicos e representantes de organizações para reflectir sobre o seu percurso e a influência da Revolução Cubana no Mundo.
A contribuição de Cuba para a luta de libertação e defesa da soberania de Angola também foi destacada pelos intervenientes, que apontaram Fidel Castro como uma figura de referência na construção das relações históricas entre os dois países.
Ao discursar na cerimónia, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, destacou a solidariedade de Cuba para com Angola e o contributo prestado pelo país caribenho em momentos considerados cruciais da trajectória nacional.
Para o governante, a solidariedade cubana ultrapassou uma aliança de circunstâncias, constituindo um compromisso com a liberdade do povo angolano e com o direito de a Nação decidir o seu próprio destino.
Domingos Vieira Lopes sublinhou, igualmente, que o legado de Fidel Castro e o apoio de Cuba a Angola se estenderam aos sectores da Educação, Saúde, formação técnico-profissional e cooperação para o desenvolvimento, destacando os mais de 45 mil angolanos formados em instituições de ensino cubanas ao longo dos últimos 50 anos.
Reforço da cooperação
De acordo com o secretário de Estado, as relações políticas, económicas, técnico-científicas e culturais entre Angola e Cuba vão continuar firmes e inabaláveis, com os dois países empenhados na identificação de novas oportunidades de cooperação, tendo em vista benefícios para ambos os povos.
Neste sentido, Domingos Vieira Lopes destacou, igualmente, a implementação de protocolos de entendimento nos sectores do Turismo e da Cultura, bem como entre as agências reguladoras de medicamentos, entre outras áreas. “Estes acordos e os vários anteriores em curso devem, cada vez mais, consolidar as relações económicas entre os dois Estados”, reforçou.
Forte relação de cooperação entre os dois país
A conferência contou, igualmente, com prelecções dedicadas à vida e obra de Fidel Castro, com destaque para a sua formação e vivências durante a infância e adolescência, origem das ideias revolucionárias, principais actividades diplomáticas e a histórica cooperação entre Angola e Cuba.
Ao tomar a palavra, o embaixador de Cuba em Angola, Óscar González, destacou que os princípios de Fidel Castro assentavam em sentimentos inquestionáveis de anti-imperialismo e anti-colonialismo.
O diplomata referiu que Fidel Castro considerava ser possível avançar no caminho do desenvolvimento e do progresso do povo cubano, apesar dos obstáculos. “Como líder da Revolução Cubana e Chefe de Estado, Fidel dirigiu a política externa do país e foi o seu principal arquitecto”, afirmou.
Para o académico e deputado à Assembleia Nacional Mário Pinto de Andrade, Fidel Castro foi um líder visionário, ao procurar congregar os países do chamado Terceiro Mundo e não só.
Lembrou, ainda, a Conferência Tricontinental, realizada em Havana, sob liderança cubana, que reuniu representantes da Ásia, África e América Latina em torno da luta por uma ordem económica internacional mais justa.
Fidel Castro foi um político cubano que exerceu os cargos de Primeiro-Ministro e Presidente do país, tendo permanecido na liderança de Cuba até 2008. Visitou Angola em duas ocasiões, a primeira de 23 a 27 de Março de 1977 e a segunda de 7 a 9 de Setembro de 1986.
Nascido em 13 de Agosto de 1926, na localidade de Birán, província de Holguín, em Cuba, Fidel Castro morreu em 25 de Novembro de 2016 aos 90 anos.




