O presidente do partido BASTA, Joveth Domingos, considera que a UNITA continua a representar uma referência importante na sua formação política, mas entende que a actuação de alguns dos seus dirigentes tem contribuído para impedir a chegada da formação ao poder.
Em entrevista esta segunda-feira, 28, à Rádio Correio da Kianda, no programa de grande entrevista Ponto e Vírgula, Joveth Domingos afirmou que não pretende alimentar qualquer sentimento de vingança contra a sua antiga formação partidária.
O líder do BASTA disse manter respeito pela UNITA, que considera uma escola, distinguindo a organização enquanto instituição da conduta que atribui a alguns dos seus dirigentes.
“Eu, Joveth Domingos, respeito e jamais irei falar mal da UNITA. Para mim, a UNITA é uma escola, eu admiro e respeito a UNITA. A UNITA não tem problemas”, afirmou.
Apesar disso, Joveth Domingos acusou alguns dirigentes da UNITA de assumirem uma postura que, no seu entender, transforma o partido numa espécie de propriedade particular ou empresa.
“Talvez alguns dirigentes da UNITA têm comportamentos menos abonatórios, entendendo que seja a casa de alguém ou uma empresa de alguém. E é isso que vai levar a UNITA, ou seja, que tem levado a UNITA a jamais chegar ao poder”, afirmou.
O presidente do BASTA questionou ainda o desempenho eleitoral da UNITA ao longo das últimas décadas, recorrendo a uma comparação com o desporto para defender que os resultados sucessivos devem suscitar uma reflexão interna.
“Um atleta de alta competição, há 50 anos sempre a perder o combate. Se fosse no mundo do desporto, não é normal. É porque não está a se preparar muito bem ou alguma coisa estranha está a acontecer”, ironizou.
As críticas do líder do BASTA não ficaram limitadas à UNITA. Joveth Domingos afirmou que a corrupção não deve ser associada exclusivamente ao partido que exerce o poder e acusou sectores da oposição de transformarem a actividade política num negócio.
“Os corruptos no país não estão só num partido do poder, estão também nos partidos da oposição que, de um tempo a esta parte, têm vindo a comercializar a política”, acusou.
O político afirmou ainda que muitos dos actores políticos angolanos exercem a actividade partidária com interesses económicos, fazendo uma distinção entre empreendedorismo e aquilo que considera ser a comercialização da política.
Joveth Domingos rejeitou igualmente as acusações de que o BASTA teria sido financiado por terceiros ou beneficiado de apoio do MPLA para a sua legalização.
“Nós não fomos financiados por ninguém. Não temos dívida moral com ninguém. Nesta altura estamos de cabeça erguida”, declarou.
Em resposta às alegações de proximidade com o partido no poder, o líder do BASTA desafiou os autores dessas acusações a apresentarem elementos que sustentem a existência de ligações entre a nova formação política e o MPLA.
Joveth Domingos afirmou que o BASTA foi legalizado com recursos e esforço próprios, sem financiamento ou apoio político externo.
A posição surge poucos dias depois de o BASTA ter reafirmado que pretende disputar as eleições de 2027 com o objectivo de chegar ao poder. Em conferência de imprensa realizada em Cacuaco, Joveth Domingos afirmou que a formação pretende apresentar-se como uma alternativa no mosaico político angolano.
O BASTA foi formalmente legalizado pelo Tribunal Constitucional a 10 de Setembro de 2026, segundo informações publicadas na imprensa nacional.




