O presidente do PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku, critica a alegada falta de pluralismo nos órgãos públicos de comunicação social, por considerar que a cobertura informativa pode condicionar a percepção dos eleitores e comprometer a igualdade de oportunidades entre os partidos políticos nas eleições gerais de 2027.
Segundo o político, a Televisão Pública de Angola (TPA), a Rádio Nacional de Angola (RNA) e o Jornal de Angola não asseguram, na sua perspectiva, um tratamento equilibrado das diferentes forças políticas, favorecendo a divulgação das posições do partido no poder em detrimento da oposição.
Chivukuvuku considera que a exposição predominante a uma única versão dos acontecimentos pode influenciar a forma como os cidadãos interpretam a realidade política e criar a percepção de que a vitória do partido no poder é inevitável.
“O cidadão é diariamente bombardeado com uma única versão dos factos. Isso é doutrinação. Isso condiciona psicologicamente o eleitor e cria um ambiente onde a alternância parece impossível”, afirmou.
O líder do PRA-JA defende, por isso, uma reforma da comunicação social pública, com garantias de pluralismo, independência editorial e acesso equilibrado dos partidos políticos aos espaços de informação, sobretudo no período que antecede as eleições de 2027.
Para o político, a questão da transparência eleitoral não se limita ao funcionamento das assembleias de voto ou à contagem dos votos, mas envolve também as condições em que os eleitores formam as suas opiniões e tomam decisões políticas.
Chivukuvuku considera igualmente necessário reforçar a independência das instituições do Estado e dos órgãos responsáveis pela administração da justiça eleitoral, incluindo a Comissão Nacional Eleitoral e o Tribunal Constitucional.
“Quando as instituições que deveriam arbitrar o jogo são simultaneamente jogadores, não há transparência nem credibilidade possíveis. O Estado confunde-se com o partido”, declarou, ao criticar o que considera ser uma aproximação entre as estruturas do Estado e os interesses do partido no poder.
O dirigente defende que a despartidarização das instituições públicas e a criação de condições efectivas para a participação de todas as forças políticas são essenciais para reforçar a confiança dos cidadãos no processo eleitoral.
Abel Chivukuvuku falava durante um encontro com quadros e representantes da sociedade civil, na província de Benguela, dedicado à credibilidade dos processos eleitorais em Angola e ao papel dos partidos políticos na preparação das eleições gerais de 2027.




