Luanda – Os ensinamentos de liderança política e militar do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, continuam a constituir uma referência para as Forças Armadas Angolanas (FAA), considerou, esta sexta-feira, em Luanda, o tenente-general Miguel Júnior.
Luanda – Os ensinamentos de liderança política e militar do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, continuam a constituir uma referência para as Forças Armadas Angolanas (FAA), considerou, esta sexta-feira, em Luanda, o tenente-general Miguel Júnior.
Ao abordar o tema “Ensinamentos de Liderança Militar”, o oficial general destacou a personalidade de Agostinho Neto, que descreveu como um líder político lúcido, paciente, persistente, determinado e confiante no sucesso e no êxito dos seus objectivos.
Segundo o prelector, Neto tinha objectivos claros e mantinha-se fiel ao seu propósito, características que considerou importantes para a compreensão da liderança no domínio militar.
Para ilustrar a sua abordagem, o tenente-general na reforma recordou um episódio ocorrido em Outubro de 1975, relacionado com a presença de Agostinho Neto junto das estruturas militares, em Luanda.
Relatou que, numa determinada noite, Neto chegou num veículo e dirigiu-se aos militares para perguntar pelo comandante, sem estar acompanhado por escolta ou guarda de segurança.
“Este episódio ficou comigo até hoje. É um exemplo de calma e de confiança”, afirmou, defendendo que o líder deve ter confiança e capacidade para compreender o contexto e o espaço em que se encontra.
Miguel Júnior explicou que a liderança pode ser analisada no âmbito da estratégia total do Estado e também nos níveis estratégico, operacional e táctico da estratégia militar, incluindo actualmente a liderança ao nível do soldado.
Sublinhou que a abordagem sobre Agostinho Neto representa apenas um dos elementos da história da liderança militar angolana, por ter sido o primeiro Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, reconhecendo igualmente os contributos de outros líderes e comandantes militares ao longo da história do país.
Na sua intervenção, defendeu ainda a necessidade de compreender a liderança a partir de diferentes contextos históricos, incluindo a luta de libertação nacional e o período de construção do Estado angolano.
O prelector destacou que a história da humanidade está marcada por diferentes formas de liderança militar, protagonizadas por figuras que deixaram conhecimentos e referências que permanecem actuais no estudo da guerra, da estratégia e da organização militar.
Entre as referências do pensamento militar, mencionou a obra Da Guerra, de Carl von Clausewitz, e os ensinamentos de Sun Tzu, considerando que os seus contributos continuam a ser estudados no domínio da guerra e da estratégia.
Para Miguel Júnior, os conhecimentos sobre liderança não são exclusivos das Forças Armadas, uma vez que princípios desenvolvidos no âmbito militar também são aplicados por instituições civis, enquanto os militares, por sua vez, podem igualmente aprender com experiências e conhecimentos provenientes de outros sectores da sociedade.
Encerramento do evento
Ao proceder o encerramento do evento, o chefe do Estado-Maior General adjunto das Forças Armadas Angolanas (FAA) para a área Operacional e Desenvolvimento, general Jaime Pombo Vilinga, defendeu a necessidade de se preservar a memória dos militares que contribuíram para a história das forças armadas e do país.
O oficial general considerou que a dissertação apresentada pelo tenente-general Miguel Júnior constitui uma oportunidade para reflectir sobre a liderança e, sobretudo, a necessidade de valorizar aqueles que participaram nos diferentes momentos da história militar de Angola.
Jaime Pombo Vilinga referiu que a história recente de África apresenta vários exemplos de líderes cujas trajectórias devem ser estudadas, citando, entre outros, o antigo imperador da Etiópia, Haile Selassie, e o antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela.
Sobre Mandela, sublinhou que a análise das figuras históricas deve considerar não apenas os actos individuais, mas também o contexto em que foram praticados e o contributo de cada personalidade para a libertação dos seus povos.
“Não se trata de contar os actos, os feitos localizados e individuais de cada líder, mas as suas acções no processo de libertação dos seus povos”, afirmou.
O responsável das FAA destacou igualmente a importância de recuperar a memória dos militares angolanos que participaram em diferentes missões e teatros de operações, muitos dos quais, segundo disse, permanecem esquecidos.
“Quem são os camaradas que estiveram com ele nestas missões, nesses teatros de operações?”, questionou, defendendo a necessidade de identificar e registar os nomes daqueles que participaram nos diferentes momentos da história militar do país.
Para o general, cada militar tem uma história e uma memória associadas aos colegas de companhia, de batalhão, de região militar e de frente, pelo que considera necessário assegurar que esses nomes e feitos sejam preservados para as gerações futuras.
Jaime Pombo Vilinga apelou, por isso, a uma atenção especial à preservação da memória dos antigos combatentes e militares, para que os seus contributos não sejam esquecidos.
“Temos que levar em consideração, com muita atenção e cuidado, para que amanhã os nossos camaradas não sejam esquecidos daquilo que foi a grande significação desta nossa história”, afirmou.
A palestra sobre os ensinamentos de liderança militar de Agostinho Neto foi realizada no âmbito das actividades alusivas ao 17 de Setembro, Dia do Fundador da Nação e do Herói Nacional. LDN/SC




