O representante permanente de Angola na União Africana, Miguel Bembe, afirmou que a 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da organização, realizada em Luanda, consolidou a capital do país como um verdadeiro “hub diplomático” continental com dimensão global.
Ao dissertar, quinta-feira, no Instituto de Defesa Nacional (IDN), numa palestra subordinada ao tema "Geopolítica do Corno de África e suas Implicações para Angola", o também embaixador na Etiópia justificou a sua afirmação com o facto de a Cimeira de Luanda ter consagrado a transição definitiva para a doutrina da antecipação, exigindo o reforço e financiamento directo dos instrumentos de prevenção pelos próprios africanos.
“Esta viragem institucionalizou o princípio da rendibilidade, transformando o cumprimento dos acordos de paz numa obrigação político-jurídica objectiva e consolidando Luanda como um verdadeiro hub diplomático continental com dimensão global”, disse Miguel Bembe, enaltecendo a “visão clarividente” do Presidente João Lourenço, enquanto “Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África”.
O diplomata definiu, ainda, o designado “Processo de Luanda” como o software diplomático africano, funcionando como um sistema operativo inteligente de mediação, baseado no diálogo inclusivo e no princípio sagrado da não-ingerência.
Para conferir ancoragem real a este modelo de concertação, prosseguiu o embaixador, Angola apresentou o seu conceito de “hardware geoestratégico”, consubstanciado em projectos de conectividade material e económica de magnitude global, com especial destaque para o Corredor do Lobito, entre outros.
A infra-estrutura ferroviária, na visão de Miguel Bembe, actua como uma plataforma multilateral que une os interesses de Angola, RDC, Zâmbia, EUA, União Europeia e consórcios internacionais.
O embaixador apontou quatro lições estratégicas cruciais para a calibração da política externa de Defesa e de Segurança Nacional, sublinhando que a primeira insta à auto-suficiência defensiva, inspirada na lição do Sudão, exortando para que as FAA mantenham uma cadeia de comando estritamente unificada e expandam a base industrial de defesa interna.
A segunda, explicou, propõe a reconceptualização da defesa marítima, reforçando os meios de vigilância electrónica e navais da Zona Económica Exclusiva (ZEE) face ao desvio do tráfego global para a rota do Cabo da Boa Esperança.
O investimento em ferramentas de Inteligência Artificial e recolha de dados para uma diplomacia preventiva antecipatória, segundo o diplomata, constitui a terceira lição, ao passo que a quarta se foca no nexo clima-segurança, preparando o soldado do século XXI para gerir as crises humanitárias e ecológicas decorrentes dos movimentos migratórios forçados, causados pelas secas e a desertificação no continente.



