A vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, afirmou, quinta-feira, em Luanda, que é possível exercer uma liderança feminina plena, superando os desafios impostos pelas esferas profissional e familiar através de uma conciliação equilibrada de todas as vertentes.
Ao intervir na Conferência Nacional sobre Mulheres de Alta Performance, realizada no Palácio da Justiça, Mara Quiosa defendeu que a liderança feminina constitui um tema urgente e um imperativo estratégico para a equidade de género. A dirigente partidária argumentou que, num país onde mais de metade da população é feminina, “seria arriscado não investir na capacidade real das mulheres”. Ao dissertar sobre o tema “Mulheres, Estratégia, Liderança, Autenticidade e Desafios do Século XXI”, a responsável sublinhou que a mulher angolana tem consolidado as suas potencialidades, competências e méritos, factores que legitimam a sua ascensão a cargos de liderança plena. Para a vice-presidente do MPLA, a conquista de espaços em múltiplos sectores é fruto do desenvolvimento técnico individual, com particular realce para o avanço na literacia financeira, no domínio digital, na capacidade analítica e na gestão de equipas. “Contamos, hoje, com mulheres líderes que inspiram e transmitem confiança a outras franjas femininas, contribuindo, directa ou indirectamente, para que estas alcancem elevados níveis de conhecimento e de competência”, referiu. Na qualidade de convidada do evento, que reuniu mais de 700 mulheres de diversos estratos sociais, Mara Quiosa apontou ainda os principais obstáculos à afirmação feminina. Entre os desafios estruturais, destacou as barreiras culturais, a disparidade salarial, a dupla jornada laboral e a sobrecarga com a gestão doméstica e familiar, muitas vezes agravada pela ausência de redes de apoio eficazes. Mulheres são exortadas a exercer liderança assertivaDurante a conferência, a missionária Esperança Coelho incentivou as mulheres de diferentes estratos sociais a adoptarem uma liderança mais assertiva diante dos desafios actuais. A prelectora destacou que a inclusão feminina nos centros de decisão “é um activo estratégico para a sobrevivência e o fortalecimento das democracias”. Sublinhou ainda que a busca pela alta performance, quando aliada à preservação da saúde mental, previne a exaustão pelo excesso de trabalho (burnout) e permite o equilíbrio do potencial individual. Na ocasião, a mentora do projecto, Márcia Panzo, explicou que a iniciativa surge num contexto em que persistem barreiras culturais e estruturais que limitam a representatividade e o acesso das mulheres a cargos estratégicos e níveis de decisão em diversos sectores. A responsável enfatizou que a liderança feminina tem introduzido uma nova dinâmica nas instituições angolanas, demonstrando que não há produtividade sustentável sem a inclusão das mulheres. “Nos últimos tempos, as mulheres têm despertado o seu pleno potencial por meio de propósitos claros e da criação de redes de apoio, combatendo directamente a sobrecarga invisível”, concluiu.




