A aposta no conhecimento e em competências que permitam assumir maiores responsabilidades no futuro deve constar entre as prioridades dos jovens, defendeu, na sexta-feira, a vice-presidente do MPLA..
Mara Quiosa lançou o repto durante a aula magna proferida na II Conferência Angola Avante, subordinada ao tema “Liderança, Participação Feminina na Governação e o Papel das Mulheres na Consolidação de Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável”, realizada no Auditório Rui Ferreira, no Palácio da Justiça, em Luanda. “Preparem-se. Continuem a capacitar-se para estarem à altura dos desafios que cada um de vocês terá ainda pela frente”, exortou a número dois do partido dos “Camaradas”. Mara Quiosa destacou o papel da juventude na construção do futuro de Angola, observando que o bónus demográfico do país representa, em simultâneo, uma oportunidade e uma responsabilidade. Perante uma plateia essencialmente jovem, a dirigente partidária apelou ao aproveitamento das ferramentas de formação e capacitação, defendendo uma postura activa diante dos desafios nacionais. A vice-presidente do MPLA aconselhou os jovens a enfrentarem as dificuldades, lembrando que os obstáculos fazem parte do processo de crescimento e da preparação para futuras responsabilidades. A dirigente explicou ainda que a liderança não depende da ocupação de cargos formais, podendo ser exercida nos mais diversos espaços da sociedade. “Uma pessoa pode exercer liderança na universidade, na comunidade, no local de trabalho, na família ou em qualquer espaço onde tenha capacidade de influenciar positivamente outras pessoas”, afirmou Mara Quiosa, sublinhando que a liderança começa pelo exemplo. “Razão pela qual, cada pessoa deve ter consciência de que pode constituir uma referência para aqueles que a rodeiam”, advertiu. A Angola do futuro será construída por quem hoje estuda, trabalha, lidera, empreende e participa na vida pública, ressaltou a dirigente. Diante dessa realidade, a vice-presidente do MPLA afirmou que o amanhã do país pertence à actual geração, apelando à juventude que faça uma aposta permanente na formação. Mara Quiosa considerou ultrapassada a ideia de que a abundância de recursos naturais é suficiente para garantir prosperidade aos países. Segundo a número dois do partido dos “Camaradas”, a existência de petróleo, diamantes, ouro ou outros recursos naturais não determinam, por si só, o nível de desenvolvimento de uma nação. A título de exemplo, apontou o caso de países ricos em recursos naturais, mas com baixos níveis de desenvolvimento, em contraste com nações de recursos limitados que alcançaram elevados índices de prosperidade. Mara Quiosa enfatizou que as pessoas constituem o principal recurso de um país, destacando o papel da educação, da inovação, da tecnologia e das infra-estruturas na transformação do conhecimento em desenvolvimento sustentável. “Cada um de vocês vale muito mais do que um barril de petróleo. Cada um de vocês vale muito mais do que um diamante”, afirmou. Desenvolvimento sustentávelAo abordar a questão do desenvolvimento sustentável, Mara Quiosa referiu que o país não poderá construir o futuro apenas através de infra-estruturas, tecnologia ou investimento financeiro. Para a vice-presidente do MPLA, o desenvolvimento sustentável depende, sobretudo, da qualidade das pessoas, da criatividade, da capacidade empreendedora, da inovação e da determinação colectiva. A dirigente defendeu a necessidade de transformar a diversidade em inteligência, o talento em inovação e a inclusão em prosperidade. Nesta equação, Mara Quiosa sublinhou que a participação de todos, sobretudo dos jovens, é fundamental para desenhar políticas públicas mais inclusivas e sintonizadas com as necessidades da população. Mara Quiosa enalteceu a aposta do Presidente da República, João Lourenço, na promoção da liderança feminina em cargos de direcção e chefia. A vice-presidente do MPLA sublinhou que esta orientação política reflecte um compromisso claro com a modernização do Estado e com a justiça social. A dirigente enfatizou que o país regista um crescimento notável na participação das mulheres em funções de alta responsabilidade política e administrativa, tanto no aparelho governativo como no sector público. No entanto, alertou que esta evolução não deve ser vista como um fim em si mesma, mas sim como um processo dinâmico que exige um investimento contínuo na formação, na capacitação técnica e no desenvolvimento de competências de liderança, garantindo que a ascensão feminina seja sustentada pelo mérito e pela excelência.




