Marcolino Moco critica constituição de arguido do general Higino Carneiro e fala em “retaliação” política

Luanda - O antigo secretário-geral do MPLA e ex-primeiro-ministro angolano, Marcolino José Carlos Moco, reagiu esta terça-feira ao anúncio da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que o general Francisco Higino Lopes Carneiro, também antigo governador de Luanda e do Cuando Cubango, foi constituído arguido em dois processos-crime que tramitam na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal.
Num pronunciamento público, Moco classificou a medida como mais um episódio de “retaliação”, “vingança” e “ódio”, apontando o que considera ser uma instrumentalização contínua do aparelho de Justiça para fins políticos. O dirigente histórico do MPLA critica o que descreve como hesitações prolongadas antes de o Estado “galardoar” Higino Carneiro com uma “medalha” de punição, no momento em que este é apontado como potencial pré-candidato ao congresso do partido previsto para 2026.
Segundo Moco, persistem em Angola “embalo-chissokolombescos actos” que envergonham o continente africano e comprometem a ideia de liberdades conquistadas ao longo de mais de meio século. Sem citar nomes, o antigo governante afirmou que haverá vozes “com direito a micro e megafones” a justificar a posição da PGR como parte do combate à corrupção e à impunidade.
Moco também ironizou eventuais reacções do próprio Higino Carneiro, sugerindo que este poderá declarar confiança na Justiça “para que não lhe aconteça o pior”.
A PGR não comentou até ao momento as críticas do antigo secretário-geral do MPLA. Os processos envolvendo Higino Carneiro seguem em investigação, segundo o comunicado divulgado na segunda-feira.



