A construção do Memorial dos Conflitos Políticos em Angola está com uma execução física de 90 por cento e a conclusão das obras acontece em meados do próximo mês de Outubro.
Os dados foram apresentados ao Presidente da República, João Lourenço, pelo director do Gabinete de Obras Especiais, Leonel Cruz, esta quinta-feira, 10 de Setembro, em Luanda, durante uma visita de constatação à empreitada.
Na ocasião, o Chefe de Estado percorreu as diferentes áreas do empreendimento e recebeu explicações técnicas sobre o grau de execução física, os trabalhos em curso e os prazos estabelecidos para a conclusão das obras.
Leonel Cruz informou que desde a última visita do Presidente João Lourenço ao projecto, em Maio do corrente ano, ocasião em que as obras apresentavam cerca de 60 por cento de execução física, os trabalhos e a logística foram intensificados, o que permitiu alcançar a actual percentagem.
Neste momento, acrescentou, estão previstos cerca de 30 dias de trabalho para a conclusão integral da empreitada.
O director sublinhou que o empreendimento ultrapassa a dimensão de uma obra de engenharia, assumindo particular relevância artística, histórica e simbólica, por representar uma reflexão sobre os conflitos políticos vividos em Angola entre 1975 e 2022.
O projecto integra três elementos centrais Aliança Eterna, Hall de Memoria e Mulembeira, concebidos para constituir um espaço de memória, reflexão e reconciliação nacional, segundo o responsável.
Igualmente, disse, o projecto também procura transmitir às diferentes gerações uma mensagem de entendimento e de paz, na perspectiva de que os conflitos do passado não voltem a repetir-se.
Durante a visita presidencial, o director informou, que o Panteão Nacional, que é uma estrutura independente do Memorial dos Conflitos Políticos, está com 40 por cento de execução física, o que representa um avanço de cerca de 20 pontos percentuais desde Maio.
A arquitecta e artista plástica Fineza Teta destacou a dimensão cultural, educativa e de consciencialização histórica do Memorial e afirmou que o projecto foi concebido para honrar e reconhecer a história de Angola, desde a arte, ao design, à tecnologia e à arquitectura como instrumentos de preservação da memória colectiva.
De acordo com a especialista, o
trabalho de investigação e identificação das vítimas dos conflitos políticos constitui igualmente uma das componentes do Memorial dos Conflitos Políticos, estando em curso a preparação de conteúdos e a conservação de peças e artefactos relacionados com as vítimas.
Por seu lado, o médico legista Aurélio Ngueve, chefe da equipa médico-forense da CIVICOP, afirmou que o projecto combina elementos físicos com recursos digitais, privilegiando uma experiência que permita aos visitantes compreender a dimensão humana dos acontecimentos retratados.
O responsável explicou que estão a ser consideradas experiências internacionais, particularmente da França, no domínio da preparação e conservação de peças e artefactos relacionados com vítimas de conflitos políticos.
Aurélio Ngueve adiantou que a equipa audiovisual da comissão, que é multidisciplinar, dispõe de um volume significativo de conteúdos destinados a enriquecer a apresentação do Memorial dos Conflitos Políticos.



