Um grupo de militantes contestatários do PDP-ANA convocou uma reunião do Comité Central para o próximo dia 28 de Agosto, em Luanda, com o objectivo de analisar a situação interna do partido e discutir o futuro da formação política, incluindo a eventual substituição do presidente Abreu Capitão Bernardo.
O anúncio foi feito esta quinta-feira, 20 de Agosto, pelo porta-voz do grupo, António Ludiabana, durante uma conferência de imprensa, na qual anunciou igualmente a convocação do 3.º Congresso Extraordinário do partido.
Segundo António Ludiabana, a iniciativa resulta da alegada recusa da actual direcção em convocar um congresso, apesar do termo do mandato da liderança estar previsto para 11 de Dezembro de 2026.
O dirigente contestatário afirma que Abreu Capitão Bernardo já terá manifestado publicamente, por três ocasiões, não estar interessado na realização do congresso. Para os militantes dissidentes, a convocação do órgão é urgente, sobretudo tendo em conta a necessidade de preparar o PDP-ANA para participar nas eleições de 2027.
A contestação inclui ainda acusações relacionadas com a gestão financeira e o funcionamento interno do partido. António Ludiabana afirma que o presidente do PDP-ANA responde num processo judicial por alegado peculato, relacionado com supostos desvios de verbas e falta de justificação de determinados valores.
O grupo acusa igualmente a actual direcção de violar os estatutos do partido, alegadamente ao celebrar contratos ou acordos sem a deliberação dos órgãos competentes. Os contestatários denunciam ainda a suposta falsificação de actas, resoluções e decisões atribuídas ao Comité Central e ao Congresso.
A actual liderança rejeita, entretanto, a legitimidade da iniciativa. Abreu Capitão Bernardo considera ilegal a convocação da reunião do Comité Central e do congresso anunciados pelos dissidentes.
O presidente do PDP-ANA desvaloriza a contestação e garante que a formação política mantém a sua própria agenda e organização interna, assegurando que o congresso previsto para este ano será realizado “no seu devido tempo”.
Abreu Capitão Bernardo considera ainda que o reaparecimento do grupo contestatário, numa altura de aproximação do período eleitoral, poderá estar relacionado com interesses económico-financeiros.
“Não estamos preocupados com este grupo, porque o PDP-ANA tem a sua própria agenda e organização interna”, afirmou o presidente, acrescentando que a aproximação das eleições explica, na sua perspectiva, o ressurgimento da contestação interna.
A disputa entre as duas sensibilidades não é nova. Em 2023, António Ludiabana já havia protagonizado uma contestação à liderança de Abreu Capitão, com acusações relacionadas com alegadas violações dos estatutos, funcionamento das estruturas partidárias e gestão financeira. Na altura, o presidente também rejeitou a legitimidade do congresso anunciado pelo grupo.
O PDP-ANA foi fundado por Mfulumpinga Nlandu Victor e tem como referências políticas a defesa da democracia, da justiça social e da unidade nacional. Em 2025, a direcção do partido apelou à coesão dos militantes em torno da liderança de Abreu Capitão Bernardo.
A convocação anunciada para 28 de Agosto poderá, assim, voltar a colocar em confronto as duas sensibilidades do PDP-ANA e abrir uma nova disputa sobre a legitimidade dos órgãos partidários e a liderança da formação política.



