O ministro do Turismo, Márcio Daniel, considerou ontem, em Luanda, a diplomacia como um instrumento estratégico e multiplicador na promoção do país.
Ao intervir na aula magna “Promoção de Angola através da experiência turística”, integrada na III edição do Treinamento de Diplomatas para o Futuro, o governante explicou que o futuro exige uma aliança estruturada entre o turismo, o corpo diplomático e o sector privado para reposicionar a imagem nacional no mercado internacional.
“Neste sentido, a diplomacia é um instrumento para comunicar Angola ao mundo”, afirmou durante o evento na Academia Venâncio de Moura.
O governante defendeu que o turismo deve ser encarado como a principal montra do país, funcionando como uma ferramenta de soft power a nível regional, continental e global.
O titular da pasta do Turismo recordou que, nos últimos anos, Angola desenvolveu várias acções para consolidar a sua influência regional, sublinhando que o esforço actual deve continuar focado na autenticidade do destino.
Para Márcio Daniel, existe um binómio indissociável: por um lado, a diplomacia como canal de comunicação e, por outro, a experiência real vivida pelo turista, seja ele nacional ou internacional.
Embaixador da experiência
Márcio Daniel defendeu, igualmente, que o diplomata do futuro deve ser visto não apenas como embaixador do país, mas como o embaixador da experiência de Angola.
Enquanto promotor estratégico, sublinhou o ministro, este profissional representa a identidade nacional, comunicando com rigor a cultura, a história e a oferta do país.
Além disso, deve actuar como um verdadeiro intérprete de mercados, identificando preferências, barreiras e oportunidades no país de acreditação, de modo a transformar a sua missão diplomática num pólo emissor de turistas e de investidores.
O ministro destacou, ainda, que a diplomacia económica pode multiplicar a promoção do destino. “O Ministério do Turismo tem a responsabilidade sectorial de liderar e criar a proposta de valor do destino, mas cabe às Relações Exteriores e às missões diplomáticas e consulares assegurar a sua projecção internacional no quadro das suas competências”, acrescentou.
Márcio Daniel apontou, também, que a diplomacia deve funcionar como um sistema coordenado e não como um conjunto de actividades isoladas, tendo proposto um modelo de cooperação assente em cinco eixos, nomeadamente a direcção estratégica, inteligência de mercado, activação internacional, conversão comercial e monitorização de resultados.
Este casamento, segundo o governante, exige sintonia profunda entre quem desenha a política a nível interno e quem divulga o produto no exterior.
Ao terminar, o ministro reforçou que o turismo é uma responsabilidade sectorial na liderança, mas uma oportunidade nacional na sua concretização.
“Para que esta tarefa de criação de um novo destino seja bem sucedida, não podemos encarar apenas como uma responsabilidade do Ministério do Turismo”, ressaltou, apelando ao concurso da diplomacia para prolongar a acção de criação de um destino com identidade própria, com coerência entre a promessa, a narrativa e a experiência vivida.




