Ministro dos Negócios Estrangeiros português destaca a relevância que CPLP e África terão num futuro próximo

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, destacou esta Quinta-feira a relevância que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nomeadamente os países africanos lusófonos, terão no contexto mundial num futuro não tão distante.
“É fundamental que percebamos que a CPLP - que celebra na Sexta-feira 30 anos - que os países de língua portuguesa, tem reservado para si um papel muito relevante no futuro próximo”, declarou Rangel, durante a sua intervenção no EurAfrican Forum 2026, em Lisboa.
Para o ministro, “o facto mais decisivo daquela que é a perspectiva do continente africano é naturalmente a demografia”.
“África será porventura, até ao final do século, o continente mais populoso do mundo ou praticamente igualar à Ásia. Mas, mais importante do que isso, inequivocamente e por uma diferença muito grande, é que o continente será o mais jovem do mundo. Estes dois factores são activos estratégicos fundamentais que já estão a redesenhar o século XXI e irão marcar, decisivamente, o século XXII”, disse.
O ministro sublinhou que estes dois factores terão um impacto decisivo no português como uma língua mundial, referindo que já é “a quinta língua mais falada no mundo, é a terceira língua do hemisfério ocidental, é a primeira, por ventura, do hemisfério sul.”
“Portanto, pelo simples facto de nós podermos passar de uma cifra de 270 milhões de falantes para uma cifra que será seguramente acima dos 500 milhões de falantes, vai obviamente afirmar a língua portuguesa como uma língua de comunicação”, avaliou.
Sobre o futuro e a capacidade de afirmação da CPLP, Rangel disse ainda que é “realista”, pois “a CPLP vai ter futuro”.
Esta afirmação do bloco lusófono, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, é um “facto incontornável” e “compete aos países da CPLP, obviamente, tirar partido desta grande vantagem comparativa que terão no futuro”.
“É absolutamente essencial compreender que a CPLP, cuja riqueza assenta desde logo na circunstância de estar em quatro continentes, tem como continente coração a África, porque dois terços dos membros da CPLP são países africanos, seis entre nove”, disse.
África “será sempre a plataforma de afirmação da CPLP, porque é na África que estão a maioria dos Estados da CPLP. Portanto, pensar a CPLP sem olhar para o continente africano e para o lugar que os países que falam português têm em África é evidentemente um erro de perspectiva”, declarou Rangel.
Sem perder de vista a importância da continentalidade do bloco, “o continente africano é a alavanca, aquele que será verdadeiramente o centro de distribuição de jogo da CPLP no contexto mundial”, avaliou o ministro.
Rangel afirmou que sobretudo os países africanos, destacando Angola e Moçambique, terão um papel importante na mudança de nível no que toca ao número de falantes de português num prazo de 50 a 60 anos, devendo haver um “investimento na própria capacitação no domínio da língua portuguesa nas vertentes científica, tecnológica cultural”.
O ministro luso destacou ainda a importância de haver um espaço de convergência e não de rivalidade entre o continente europeu e africano, devendo-se aproveitar o melhor de cada continente – a juventude de África e o desenvolvimento da Europa – para se criar uma complementaridade nesta relação.
Para Rangel, esta relação Europa e África, sendo que cada um obviamente irá relacionar-se com outros parceiros, pode ainda fazer frente a outros espaços de poder geopolítico, nomeadamente as Américas, com a liderança dos Estados Unidos e o Indo-pacífico, com a China e a Índia em destaque.



