Presidente da República renova apelo ao diálogo para travar conflitos no mundo

Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, apelou, esta quinta-feira, em Luanda, ao reforço do diálogo entre as civilizações, a solidariedade internacional e o multilateralismo como instrumentos para prevenir conflitos, promover a reconciliação e preservar a paz mundial.
Ao discursar na abertura da terceira Iniciativa Africana da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), que decorre em Luanda, sob o lema "Um Apelo à Paz, ao Fim das Guerras e ao Respeito pelo Direito Internacional", alertou para o agravamento da situação internacional, caracterizada pelo recurso à violência, uso da força e desrespeito do direito à vida e dignidade da pessoa humana.
Advogou uma resposta internacional assente na contenção, responsabilidade e negociação para pôr termo aos conflitos armados que persistem em várias regiões do mundo.
Entre os principais focos de instabilidade, destacou o Leste da República Democrática do Congo (RDC), Sudão, Somália, Ucrânia, Myanmar e Médio Oriente, assim como a Palestina, Líbano e a região do Golfo Pérsico.
João Lourenço apelou igualmente para um combate firme contra o terrorismo, mercenarismo e todas as formas de mudança inconstitucional de governos, por considerar que essas práticas atentam contra o Direito Internacional e comprometem a estabilidade dos Estados.
A escalada de guerras e conflitos produz consequências graves para a segurança internacional, a economia mundial e os princípios que sustentam a convivência entre as nações, advertiu.
Defendeu que os Estados assumam posições firmes na defesa de princípios e reiterou a necessidade de um sistema multilateral mais representativo, eficaz e inclusivo, capaz de responder aos desafios do século XXI.
Ao abordar a experiência angolana, recordou que o país viveu quase três décadas de guerra após a independência nacional, sublinhando que a paz alcançada a 04 de Abril de 2002 permitiu consolidar a reconciliação nacional, fortalecer o Estado democrático de direito e lançar um amplo programa de reconstrução e desenvolvimento.
Reconheceu que com a estabilidade, Angola investiu na reconstrução de estradas, pontes, caminhos-de-ferro, portos, aeroportos, sistemas de energia e abastecimento de água, telecomunicações, educação, saúde e habitação, além de transformar antigas zonas de confronto em áreas de produção agrícola.
João Lourenço afirmou que a realização da cimeira em Angola representa uma honra para o país, numa altura em que o mundo enfrenta "desafios profundos à estabilidade e ao entendimento entre as nações", marcados por conflitos persistentes, crises humanitárias e tensões geopolíticas.
Segundo disse, o encontro constitui uma oportunidade para reforçar a solidariedade internacional, defender os princípios da Carta das Nações Unidas e reafirmar o respeito pelas normas que regulam as relações entre os Estados.
O estadista angolano considerou que a presença das delegações demonstra o compromisso colectivo com o diálogo e a cooperação, que classificou como instrumentos essenciais para a construção de um futuro mais estável e seguro.
João Lourenço recordou que, desde a sua criação, a Aliança das Civilizações das Nações Unidas tem promovido a aproximação entre os povos, missão que, no actual contexto internacional, assume importância acrescida.
Para o Chefe de Estado, a iniciativa deve ultrapassar o âmbito do debate e afirmar-se como uma plataforma de mobilização em favor de soluções pacíficas, com especial incidência no reforço do multilateralismo, na prevenção da violência e na promoção da reconciliação entre os Estados.
Sustentou que o actual contexto internacional exige acção concertada da comunidade internacional e o recurso à democracia, à mediação e à prevenção como caminhos para alcançar uma paz duradoura.
A cerimónia contou com a presença do Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, do Alto Representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), Miguel Ángel Moratinos, de representantes da União Africana, das Nações Unidas, de líderes religiosos, diplomatas e outras individualidades africanas e internacionais.
Os Presidentes de Portugal, António José Seguro, de Timor-Leste, Ramos Horta, e de Cabo-Verde, José Maria Pereira Neves, apresentaram os seus discursos via online.



