A mudança de mentalidade, de atitudes e de comportamentos dos cidadãos é uma condição fundamental para promover e acelerar o desenvolvimento económico e social do país, afirmou terça-feira, em Luanda, o ministro da Cultura, Filipe Zau.
Ao intervir na abertura da II Conferência Nacional Ecuménica sobre o Resgate de Valores Morais e Cívicos — promovida pelo Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) no âmbito das actividades da Bienal de Luanda —, o governante sustentou que o progresso de Angola depende directamente da observância rigorosa dos valores cívicos, morais e patrióticos.
O ministro acrescentou que os recursos naturais, o crescimento económico e o investimento na educação e na cultura são factores determinantes que influenciam o avanço da Nação.
Diante disso, apelou à responsabilidade partilhada entre as famílias, as igrejas e as instituições de ensino na formação de cidadãos firmemente comprometidos com a integridade, o respeito pelas leis, a valorização do trabalho e a convivência pacífica.
Educação além da instrução
Filipe Zau defendeu que a educação deve ultrapassar a simples transmissão de conhecimentos académicos, desempenhando um papel activo na transformação dos comportamentos individuais e colectivos, com vista ao desenvolvimento integral da sociedade.
“Alguém educado é bem mais do que alguém apenas instruído”, afirmou o ministro, sublinhando que a formação humana deve abranger conhecimentos, hábitos, atitudes e valores indispensáveis ao pleno exercício da cidadania.
Na sua visão, as políticas de formação de recursos humanos devem estar associadas ao crescimento económico, à preservação da identidade cultural e à transformação das mentalidades, sobretudo num contexto global marcado pela diversidade cultural e religiosa.
Para reforçar a sua tese, o titular da pasta da Cultura recorreu a exemplos internacionais, demonstrando o impacto da disciplina, da organização e da responsabilidade individual na prosperidade das nações.
“A diferença está na atitude das pessoas, moldada durante anos pela educação e pela cultura”, concluiu o governante.
Impacto social das igrejas
Por sua vez, o secretário-geral do CICA, reverendo Vladimir Agostinho, destacou o impacto social das instituições religiosas nas comunidades e apelou a uma maior atenção dos líderes eclesiásticos às questões sociais.
“Que impacto a tua igreja tem provocado na sociedade diante dos problemas sociais que Angola enfrenta hoje?”, questionou o líder religioso, convidando os representantes das diferentes confissões a reflectirem sobre as suas responsabilidades perante as populações.
Para o coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, embaixador Diekumpuna Sita José, o certame assume particular relevância na promoção do diálogo sobre a paz e a governação dos recursos hídricos.
A II Conferência Nacional Ecuménica reúne líderes religiosos, representantes de instituições públicas, autoridades tradicionais e diversos convidados nacionais e estrangeiros.




