A entrada de novas forças políticas no cenário nacional pode contribuir para o reforço da democracia em Angola, mas os novos partidos devem apresentar propostas concretas para responder aos principais problemas da população.
A posição foi defendida, esta segunda-feira, pelo jurista e comentador residente do Correio da Kianda, Carlos Veiga, durante o espaço “Revista de Imprensa”.
Para o académico, o aumento do número de formações políticas é positivo por permitir maior competitividade eleitoral e oferecer aos cidadãos mais opções de escolha. No entanto, considera que o sistema político angolano ainda mantém marcas de um certo tradicionalismo.
“A proveniência de outros partidos é muito bem-vinda para que a democracia reine. E é isto o que está a acontecer no nosso país. O aumento de partidos vai permitir a competitividade democrática, mas, convenhamos que ainda temos o tradicionalismo político no nosso país”, afirmou.
Carlos Veiga entende, por isso, que a simples existência de novos partidos não será suficiente para conquistar o eleitorado. Na sua perspectiva, as novas formações devem apresentar ideias claras, propostas credíveis e soluções para os problemas que afectam a sociedade.
O jurista desafia igualmente essas forças políticas a conquistar a confiança dos cidadãos através de um discurso capaz de mostrar, de forma concreta, o que pretendem fazer caso cheguem ao poder.
“Queremos que estes partidos tenham tal capacidade de persuadirem politicamente a cidadania. É por via desses discursos que teremos uma visão sobre o que eles têm para nos dar”, afirmou.
A intervenção de Carlos Veiga surge na sequência da recente actualização, pelo Tribunal Constitucional, da lista das formações políticas com inscrição válida em Angola.
A lista actualizada reúne 16 partidos políticos, entre os quais o BASTA – Bloco para a Alternância Social de Todos Angolanos e o PUP – Partido de União Patriótica, formações recentemente inscritas pelo Tribunal Constitucional.
Com as Eleições Gerais de 2027 no horizonte, a entrada de novas forças políticas aumenta a oferta partidária, mas também coloca sobre essas formações o desafio de apresentar alternativas capazes de convencer o eleitorado.



