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O Presidente angolano não deixará ainda de aproveitar a 81ª Assembleia-Geral (AG) da ONU para limar arestas sobre o realinhamento de Angola quanto aos eixos geoestratégicos que movem o Planeta nestes tempos de provação.
Com o mundo a arder em várias frentes de guerra, que afectam fortemente, Angola, João Lourenço, que lidera uma das economias africanas de maior volatilidade económica, não deixará de lembrar aos novos amigos que o seu país também tem interesses e foi por eles que inicipou uma nova trajectória de alinhamentos globais e geoestratégicos.
E são muitos, desde logo como é que Angola pode fazer perceber as grandes economias ocidentais, EUA e União Europeia, que, ao reposicionar-se geoestratégicamentehavia uma condição prévia: não deixar cair Angola.
Foi num contexto de visitas aos EUA semelhante a esta, pouco depois de ter chegado ao poder, em 2017, que João Lourenço disse sem papas na língua que Angola estava a fazer esta mudança de alinhamento por si, não contra ninguém,mas que tinha optado pelos EUA e pelo Ocidente em geral, depois de décadas lado a lado com Rússia e China.
A intenção foi sempre alargar as possibilidades de atrair novos investimentos, o que foi conseguido com o projecto milionário do Corredor do Lobito, mas pouco mais aconteceu, e, perante as dificuldades crescentes, o aperto da dívida, é chegado o momento dos amigos novos se chegarem à frente.
Não é certo que que o Presidente angolano o vã dizer no seu discurso diplomático quando na terça-feira, 22, subirá ao palco, mas seguramente que o fará nas dezenas de conversas bilaterais, ou multilaterais restritas, porque defender os interesses do país é a sua missão.
Que termina em finais do ano que vem, quando o seu partido, o MPLA, volta a sujeitar-se ao teste das urnas, numa das eleições mais difíceis de sempre, e não é apenas pelo desgaste de meio século no poder.
É também, porque as dificuldades económicas, com o país afogado na sua dívida externa, o petróleo a perder fôlego, a diversificação económica que tarda a impor-se e a substituir o crude como motor da economia, não têm, ou serão poucos os exemplos, comparação...
Para resolver estes problemas, como a generalidade dos países em desenvolvimento, especialmente africanos, latino-americanos e asiáticos, a teia de amizades estratégica é fundamental... e se não agora, quando?
É que em Washington, mesmo que, penosamente, a diplomacia norte-americana procure diluir os efeitos da chegada de Donald Trump à Casa Branca, deixou de se olhar para o continente africano da mesma forma que Joe Biden o fazia. E agora o Presidente angolano terá a oportunidade de lhe dizer, ou fazer-lhe chegar, que as Nações cumprem acordos, históricos ou recentes, mesmo que quem as comanda muda pelo voto e sob o ciclo das democracias.
Por isso, Lourenço, como a Lusa fez nota, viajou este Domingo, 20, para Nova Iorque, para participar na 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde discursa amanhã.
O encontro anual que reúne representantes dos 193 países da ONU tem como lema "Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos" e, este ano, deverá centrar ainda a atenção na sucessão do atual secretário-geral, o português António Guterres, cujo mandato termina a 31de dezembro.
No comunicado à imprensa, a Presidência angolana refere que o ponto alto da missão do chefe de Estado João Lourenço "está previsto para terça-feira, 22 de setembro, dia em que o líder angolano subirá à tribuna da ONU para se dirigir ao mundo com o seu discurso anual".
"Tal como acontece todos os anos, o Presidente João Lourenço vai aproveitar a sua permanência por alguns dias em Nova Iorque para cumprir uma agenda diplomática intensa à margem da participação nos trabalhos da Assembleia Geral", acrescenta.
De acordo com a informação disponibilizada, está previsto que o chefe de Estado angolana se reúna "em diferentes momentos com personalidades influentes da política, da economia, das ciências e de todos os domínios que se mostram relevantes para o progresso de uma nação como Angola, mergulhada num consistente programa de transformação que abarca múltiplas áreas e frentes".
A delegação de Angola inclui também o ministro das Relações Exteriores, Téte António, que já viajou para Nova Iorque, no sábado, e que deverá acompanhar as atividades da diplomacia angolana e contribuir para a definição e apresentação das posições de Angola.
A participação de Angola na Assembleia Geral da ONU "constitui uma oportunidade para reafirmar o compromisso do país com os princípios da Carta das Nações Unidas, o diálogo, a paz e a segurança internacionais, a cooperação entre os Estados e a promoção do desenvolvimento sustentável", informou a diplomacia angolana.
Segundo a fonte, a delegação de Angola integra altos funcionários do aparelho central do Estado, bem como responsáveis e quadros do Ministério das Relações Exteriores, que acompanharão os trabalhos e as atividades diplomáticas previstas à margem da Assembleia Geral.
A agenda "deverá incluir contactos e encontros bilaterais e multilaterais com representantes de diferentes Estados e organizações internacionais, no âmbito do reforço das relações de amizade, cooperação e solidariedade entre Angola e os seus parceiros".



