O acesso à água, a iluminação das ruas e a existência de espaços para a prática desportiva estão entre as necessidades que mais directamente interferem na vida quotidiana das comunidades. Para quem vive numa zona sem abastecimento regular de água, trabalha na agricultura ou regressa a casa depois de anoitecer por ruas mal iluminadas, a importância de uma decisão pública não se mede pela sua formulação num documento, mas pela capacidade de produzir uma mudança concreta no terreno
É neste encontro entre as necessidades da população e as decisões sobre a aplicação dos recursos públicos que se inscreve o Orçamento Participativo, um mecanismo que procura dar aos cida- dãos uma palavra na identificação e selecção de projectos para as suas comunidades. Aliás, esta discussão fica ainda mais actual com a entrega, hoje, Sexta-feira, 30, à Assembleia Nacional, da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para o exercício económico de 2027.
O documento, estimado em 37,34 mil milhões de kwanzas, enquadra as prioridades de despesa pública, com destaque para o sector social, que abrange sectores como a educação, a saúde, a protecção social, a habitação, o saneamento e os serviços comunitários. A sua apreciação parlamentar abre uma nova etapa na definição das opções financeiras do país. Embora o OGE estabeleça as grandes linhas de aplicação dos recursos d Estado, é no plano local que muitas das necessidades se tornam mais visíveis. Um bairro sem iluminação, uma comu- nidade agrícola sem água ou uma zona sem espaços adequados para os jovens são realidades que os moradores conhecem melhor do que ninguém.




