A Polícia angolana denuncia "narrativas" para descredibilizar a instituição após uma operação contra uma atividade política da UNITA, na província do Uíge. Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, segundo o partido.
O segundo comandante-geral da Polícia Nacional de Angola, Orlando Bernardo, denunciou hoje alegadas tentativas deliberadas de formações políticas e organizações da sociedade civil de descredibilizar a instituição.
Durante uma conferência de imprensa, em Luanda, o comissário-chefe afirmou que "o que estamos a assistir e que condenamos veementemente é a transformação de uma ocorrência policial, que deve ser analisada à luz dos factos e da lei, numa disputa político-partidária de forma dolosa e artificial".
O maior partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), acusou a polícia de ter criado um "estado de guerra" durante um ato político do seu braço juvenil, no Uíge, a 8 de agosto. A polícia disparou tiros e gás lacrimogéneo para dispersar os militantes. Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, incluindo dez com gravidade, afirmou a UNITA.
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O presidente do partido,Adalberto Costa Júnior, condenou a atuação da polícia, considerando-a desproporcional, e alertou que este incidente poderia servir de "ensaio" para as eleições gerais de 2027.
Resposta policial "obedeceu aos níveis de intervenção"
O segundo comandante-geral da Polícia Nacional garante, no entanto, que "a resposta policial para a manutenção da ordem obedeceu aos níveis de intervenção definidos e acionou o protocolo correspondente em função do grau e risco de ameaça identificado".
Orlando Bernardo frisou ainda que a missão da instituição "não está subordinada a interesses políticos ou partidários, mas ao cumprimento da Constituição e da lei, na defesa da ordem, da tranquilidade pública, da segurança das pessoas e dos seus bens, bem como o normal funcionamento das instituições".
UNITA apresenta queixa
A UNITA anunciou hoje que apresentou queixa-crime contra as chefias policiais e o governador da província do Uíge.
"Que fique aqui bem claro: no Uíge não houve qualquer confronto. A UNITA foi atacada e os seus membros, que se encontravam indefesos, ficaram feridos. Só se poderia falar em confronto se tivesse havido, por parte dos militantes da UNITA, qualquer ato de resistência ou de enfrentamento. O que aconteceu foi diferente: a Polícia atacou mulheres e crianças que se encontravam a dançar e a cantar", afirmou a vice-presidente do partido, Arlete Chimbinda.




