Roma (Do enviado especial) – O Presidente da República, João Lourenço, participa segunda-feira, 12 de Outubro, em Roma, Itália, no Fórum Mundial da Alimentação, num contexto de reforço da segurança alimentar e da promoção da candidatura angolana à direcção-geral da FAO.
Roma (Do enviado especial) – O Presidente da República, João Lourenço, participa segunda-feira, 12 de Outubro, em Roma, Itália, no Fórum Mundial da Alimentação, num contexto de reforço da segurança alimentar e da promoção da candidatura angolana à direcção-geral da FAO.
Por Falcão de Lucas, jornalista da ANGOP
O encontro, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), decorre de 8 a 16 de Outubro, sob o lema “Inovar hoje, alimentar amanhã”, e reúne representantes de governos, instituições internacionais, investigadores, produtores e investidores para debater soluções para os desafios dos sistemas agro-alimentares.
A participação de João Lourenço enquadra-se nas prioridades de Angola para o desenvolvimento agrícola, o aumento da produção nacional, a mobilização de investimentos e o combate à fome, bem como no esforço diplomático para reforçar a presença do país nos organismos multilaterais.
Um dos pontos de destaque da presença angolana em Roma é a promoção da candidatura da engenheira agrónoma Josefa Sacko ao cargo de directora-geral da FAO, organização com responsabilidades na luta contra a fome, na melhoria da nutrição e no desenvolvimento agrícola.
Actual embaixadora de Angola em Itália, Josefa Sacko exerceu as funções de secretária-geral da Organização Interafricana do Café e de comissária da União Africana para a Economia Rural e Agricultura.
O seu percurso profissional constitui um dos fundamentos apresentados por Angola para a candidatura, que procura valorizar a experiência africana na definição de políticas para o sector.
A visão da candidata assenta no fortalecimento da agricultura familiar, na participação das mulheres e dos jovens na produção agrícola, na modernização dos sistemas de produção e na promoção da segurança alimentar.
A agricultura familiar ocupa um lugar central nesta abordagem, pelo contributo dos pequenos produtores para o abastecimento dos mercados, a subsistência das comunidades e a dinamização das economias rurais.
Para aumentar a produtividade, torna-se necessário melhorar o acesso a sementes de qualidade, fertilizantes, equipamentos, assistência técnica, irrigação, financiamento e mercados.
A proposta contempla igualmente a utilização da ciência, da investigação e da inovação tecnológica para melhorar a eficiência da produção, reduzir as perdas e reforçar a capacidade de adaptação às alterações climáticas.
A inclusão das mulheres e da juventude constitui outro eixo da candidatura, com enfoque na criação de oportunidades económicas, no emprego e na renovação geracional do sector agrícola.
A participação destes grupos na produção, transformação e comercialização de alimentos pode contribuir para dinamizar as economias locais e ampliar a capacidade produtiva dos países.
A segurança alimentar, por sua vez, exige mais do que a disponibilidade de produtos agrícolas. Pressupõe o acesso regular das populações a alimentos suficientes, seguros e nutritivos, o que depende da articulação entre produção, transporte, armazenamento, transformação e distribuição.
Fórum debate inovação e investimento
A edição de 2026 do Fórum Mundial da Alimentação privilegia a juventude, a ciência, a inovação e a mobilização de investimentos para a transformação dos sistemas agro-alimentares.
A agenda promove o diálogo entre governos, investigadores, instituições internacionais, produtores e investidores, com vista à identificação de soluções para melhorar a produtividade, tornar as cadeias de abastecimento mais eficientes e reforçar a sustentabilidade da produção alimentar.
A inovação abrange não apenas a introdução de novas tecnologias, mas também a melhoria das práticas agrícolas, o acesso ao conhecimento, a gestão dos recursos hídricos e a organização dos circuitos de abastecimento.
Já a mobilização de investimentos é considerada fundamental para financiar infra-estruturas, mecanização, investigação, armazenamento, transformação e comercialização.
O encontro aborda ainda os desafios associados às alterações climáticas, à disponibilidade de recursos naturais e ao acesso aos alimentos, num contexto em que os países procuram tornar os seus sistemas alimentares mais inclusivos e resilientes.
Agricultura e desenvolvimento económico
Para Angola, o reforço da segurança alimentar está ligado ao aumento da produção nacional, à diversificação da economia e à redução da dependência externa no abastecimento de determinados produtos.
A agricultura constitui um sector estratégico pela capacidade de gerar emprego, dinamizar as comunidades rurais, fornecer matérias-primas à indústria e contribuir para a estabilidade do abastecimento alimentar.
A concretização desse potencial depende, entre outros factores, do acesso dos produtores ao financiamento, da melhoria das infra-estruturas rurais, da expansão dos sistemas de irrigação e da criação de condições para o escoamento da produção para os centros de consumo.
A articulação entre agricultura, indústria e comércio também permite acrescentar valor à produção nacional, reduzir as perdas após a colheita e criar oportunidades de rendimento ao longo das cadeias produtivas.
Neste quadro, a participação de João Lourenço no fórum permite acompanhar os debates internacionais sobre agricultura, alimentação e investimento, ao mesmo tempo que confere visibilidade às prioridades nacionais e à candidatura angolana à liderança da FAO.
A agenda de Roma reúne, assim, duas vertentes da actuação externa de Angola, nomeadamente a promoção da segurança alimentar e do desenvolvimento agrícola e o reforço da participação do país nos mecanismos internacionais de decisão.AFL/ART/IZ




