Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, regressou hoje, domingo, ao país após participar na 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, onde abordou desafios da paz e segurança internacionais.
Acompanhado da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, o Chefe de Estado recebeu cumprimentos de boas-vindas da Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.
No discurso proferido a 22 de Setembro, João Lourenço manifestou profunda preocupação com o agravamento da situação de segurança no mundo e considerou que a comunidade internacional vive actualmente num ambiente de “anarquia mundial”, em que, segundo afirmou, o uso da força se sobrepõe à razão e à Lei.
Perante este quadro, o Chefe de Estado apelou ao reforço do papel das Nações Unidas e à valorização do diálogo, da diplomacia e do Direito Internacional como instrumentos para a resolução pacífica dos conflitos. Condenou o terrorismo e alertou para o risco de uma conflagração global perante o agravamento das tensões em diferentes regiões.
João Lourenço apresentou igualmente as iniciativas de Angola na prevenção e resolução de conflitos em África, com destaque para a 21.ª Conferência Extraordinária da União Africana, realizada recentemente em Luanda, e defendeu a implementação efectiva da Resolução 2719 do Conselho de Segurança, para assegurar financiamento previsível e sustentável às operações de apoio à paz lideradas pela União Africana.
Cuba foi outro dos temas de destaque no discurso, ao apelar ao fim do embargo contra aquele país, que considerou injusto e contrário aos princípios do Direito Internacional, e recordou o contributo de Cuba para a luta contra o apartheid na África do Sul e para os Acordos de Nova Iorque de 1988.
Na intervenção, abordou ainda os conflitos na Europa, Médio Oriente, Golfo Pérsico e África, a situação dos palestinianos, as alterações climáticas, o financiamento do desenvolvimento, a dívida e os desafios colocados pela inteligência artificial.
A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas constituiu outro ponto central do discurso, com Angola a reiterar a necessidade de uma maior representação de África nas estruturas de decisão da organização.
A participação do Presidente ocorreu num ano de particular significado para Angola, que assinala, em Dezembro, 50 anos da sua admissão como membro de pleno direito das Nações Unidas. Neste contexto, João Lourenço reafirmou o compromisso do país com o multilateralismo, o Direito Internacional e a procura de soluções pacíficas para os conflitos.
À margem da Assembleia Geral, João Lourenço manteve encontros com várias figuras da política, diplomacia, economia e de outros sectores, com destaque para o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, o Primeiro-Ministro do Canadá, Mark Carney, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro.
Com António Costa, o Presidente angolano abordou o aprofundamento da parceria entre Angola e União Europeia, com incidência no investimento, diversificação económica, conectividade, Corredor do Lobito e iniciativa Global Gateway.
Com Mark Carney, analisou formas de reforçar as relações económicas e comerciais entre Angola e Canadá, com destaque para a mineração, minerais críticos, investimento e cooperação económica.
No encontro com Luís Montenegro, realizado quarta-feira, 23 de Setembro, em Nova Iorque, os dois dirigentes analisaram o reforço das relações bilaterais nos mais variados domínios e as perspectivas do seu alargamento.
O Chefe de Estado reuniu igualmente com António Guterres, com quem analisou questões relacionadas com a cooperação entre Angola e as Nações Unidas e outros assuntos de interesse comum.
A agenda incluiu encontros com o director do Centro para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia, Jeffrey Sachs, e com o empresário Rob Walton, para troca de pontos de vista sobre prioridades de desenvolvimento de Angola e África e questões ligadas à mobilização de fundos.
João Lourenço recebeu ainda o subsecretário-geral da ONU e alto representante da Aliança das Civilizações, Miguel Ángel Moratinos, a subsecretária-geral da ONU e directora-executiva da UN-HABITAT, Anaclaudia Rossbach, o presidente da Chevron, Clay Neff, e outros responsáveis de instituições internacionais e empresariais.
Entre os encontros realizados em Nova Iorque esteve também a audiência com uma delegação da National Basketball Association (NBA), liderada pelo vice-comissário e director de Operações, Mark Tatum. Na ocasião, foi abordada a possibilidade de Luanda acolher, no futuro, jogos dos Playoffs da NBA, iniciativa que mereceu o apoio do Presidente da República.
A 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas decorreu sob o lema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos”.




