O Presidente da República, João Lourenço, considerou necessária a retoma do projecto do barragem hidroeléctrica do Baynes, uma iniciativa binacional entre Angola e a Namíbia destinada à produção de energia eléctrica para abastecer os dois países.
O Chefe de Estado angolano, que falava à imprensa esta segunda-feira, 19 de Outubro, em Luanda, no final da assinatura de oito acordos de cooperação com a Namíbia, disse ser fundamental dar vida ao empreendimento para que arranque efectivamente.
“Nós pretendemos, nesta cooperação económica entre os dois países, privilegiar algumas áreas, sem prejuízo de outras”, afirmou, indicando como prioritários os sectores da Energia e Águas, com a possibilidade de ligação da rede energética angolana à rede da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Segundo João Lourenço, a iniciativa visa promover a partilha das infra-estruturas de produção de energia eléctrica de Angola com os países da região, nomeadamente a Namíbia, África do Sul, Botswana e o Zimbabwe, bem como outros Estados que venham a integrar esse esforço de cooperação.
No domínio das Águas, João Lourenço manifestou a disponibilidade de Angola partilhar com a Namíbia a experiência adquirida na construção de barragens de armazenamento e canais destinados ao abastecimento das populações, à actividade pecuária e à agricultura.
No Sul de Angola, explicou, as províncias da Huíla, do Cunene e do Namibe, apresentam características climáticas semelhantes às do Norte da Namíbia, também frequentemente afectadas por períodos de seca severa que ameaçam as populações, o gado e a produção agrícola.
O Presidente da República afirmou que Angola está aberta a partilhar as experiências e soluções desenvolvidas para superação das dificuldades criadas pelas secas severas, cujos resultados foram satisfatórios.
No sector petrolífero, destacou a cooperação entre os dois países nos domínios da pesquisa, produção e comercialização de petróleo, e manifestou a disponibilidade de Angola continuar a partilhar a sua experiência com a Namíbia.
A Namíbia foi convidada a integrar a estrutura accionista da Refinaria do Lobito, com capacidade de produção projectada de 200 mil barris por dia de refinados de petróleo, como diesel, gasolina e outros.
Com esta capacidade, João Lourenço afirmou que Angola estará em condições não apenas de satisfazer o mercado nacional em refinados, como também as necessidades dos países vizinhos.
O Presidente manifestou ainda o interesse de Angola em reforçar os investimentos recíprocos, incentivando empresários angolanos a investir na Namíbia e investidores namibianos a estabelecerem-se em Angola.
Entretanto, defende que os investimentos estrangeiros não devem se limitar à comercialização de produtos, mas contribuir para a produção local de bens de consumo, criação de empregos e para a diversificação das economias dos dois países.
Angola e a Namíbia rubricaram oito novos acordos de cooperação nos domínios da Defesa, Cultura, Desporto, Finanças, Pescas, Aquicultura, Turismo e da Diplomacia.
A cerimónia foi testemunhada pelos Presidentes de Angola e da Namíbia, João Lourenço e Netumbo Nandi-Ndaitwah, respectivamente.




