O Presidente da República, João Lourenço, assegurou que o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), avaliado em cerca de 4,2 mil milhões de dólares, vai ser executado na sua plenitude.
Em declarações à imprensa, após a inauguração das barragens do Ndúe e Calucuve e dos respectivos canais adutores no município do Cuvelai, este sábado, 5 de Setembro, na província do Cunene, o Presidente explicou que o programa prevê intervenções estruturadas que visam responder aos efeitos da seca nas províncias do Sul do país, sendo o Cunene uma das prioridades.
O Estadista reconheceu, entretanto, que o desenvolvimento das localidades abrangidas pelo programa será gradual e deverá ser acompanhado por investimentos em energia eléctrica, educação, saúde e outras áreas.
“Hoje, têm o bem que é mais essencial, que é a água, e todos os outros bens vêm de seguida”, sublinhou.
As novas infra-estruturas reforçam a disponibilidade de água para consumo humano e para o gado, contribuindo também para o desenvolvimento da actividade agropecuária e para a redução dos conflitos entre criadores de gado.
Segundo João Lourenço, o aumento do acesso às fontes de água poderá contribuir para reduzir parte significativa das disputas entre criadores, muitas das quais com origem na escassez de locais de abeberamento.
“Se nós aumentamos o acesso, quer das pessoas, quer do gado, às fontes de água, é lógico pensarmos que o conflito também vai se reduzir”, afirmou.
O Chefe de Estado destacou igualmente o papel dos empresários no desenvolvimento das zonas envolventes às barragens e aos canais, através de investimentos capazes de dinamizar a actividade económica local.
Questionado sobre as condições de acesso às novas infra-estruturas, João Lourenço garantiu que as vias serão melhoradas, podendo também ser abertos novos trajectos.
A inauguração incluiu visitas às principais estruturas das barragens, entre as quais os postos de observação e controlo, os coroamentos (cristas das barragens), as torres de tomada de água e as estruturas de condução e descarga.
Na Barragem do Ndúe, junto ao Rio Caundo, foi accionada a comporta, seguindo-se uma visita guiada à estrutura de transição entre a conduta adutora, o canal e a primeira chimpaca, num percurso de aproximadamente cinco quilómetros.
Em Calucuve, no Rio Cuvelai, o programa contemplou igualmente o accionamento da comporta e a visita ao posto de observação e controlo, ao coroamento da barragem e à torre de tomada de água, bem como ao edifício de saída da conduta adutora e à descarga de fundo.
“Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo”, afirmou o Chefe de Estado, acrescentando que os projectos previstos para as províncias da Huíla e do Namibe serão igualmente executados.
João Lourenço recordou que a decisão de criar o PCESSA surgiu em 2019, na sequência de uma deslocação à localidade de Ombala Yo Mungu, onde constatou as difíceis condições de vida das populações, sobretudo no que respeita ao acesso à água.



