Luanda – A quarta edição da Bienal de Luanda, dedicada ao reforço da governação da água em África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos, inicia-se esta quinta-feira.
Luanda – A quarta edição da Bienal de Luanda, dedicada ao reforço da governação da água em África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos, inicia-se esta quinta-feira.
O encontro, que decorre até sexta-feira, junta na capital angolana representantes de governos, organizações internacionais e da sociedade civil.
O evento é uma iniciativa do Governo angolano, da União Africana (UA) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), com o propósito de promover a cultura de paz e a cooperação na gestão sustentável dos recursos hídricos.
A cerimónia de abertura será marcada pelo discurso do Presidente da República, João Lourenço, e inclui as mensagens do Alto Representante para a Iniciativa Silenciar as Armas da União Africana, Mohamed Ibn Chambas, e do director-geral da UNESCO, Khaled El-Enany.
Sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, a edição deste ano coloca no centro do debate a relação entre os recursos hídricos, a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável do continente.
O programa do primeiro dia prevê um diálogo intergeracional de alto nível sobre governação inclusiva, com a participação de chefes de Estado e de Governo, jovens líderes africanos e representantes da diáspora, seguido de um painel sobre água, paz e cooperação transfronteiriça.
A agenda inclui, igualmente, debates sobre a diplomacia da água, a integração regional e os mecanismos de prevenção e resolução de conflitos, com a participação de responsáveis governamentais, diplomatas e especialistas de vários países africanos.
Na sexta-feira, os trabalhos prosseguem com painéis sobre a participação comunitária na governação da água, os direitos humanos, as alterações climáticas, a migração, a resiliência climática e os investimentos em infra-estruturas hídricas e formação de capital humano.
A programação contempla ainda a análise de mecanismos de financiamento e de parcerias público-privadas para ampliar o acesso à água e ao saneamento, considerados factores essenciais para a saúde pública, a segurança alimentar e a estabilidade das comunidades.
A quarta edição termina com a adopção da Declaração da Bienal de Luanda 2026 e de um comunicado final da União Africana, da UNESCO e do Governo angolano.
Antecedentes e evolução
Lançada em Setembro de 2019, por iniciativa conjunta do Governo angolano, da União Africana e da UNESCO, a Bienal de Luanda procura fortalecer o movimento pan-africano pela cultura de paz e não-violência, através do diálogo, da valorização da diversidade cultural e da participação dos diferentes segmentos da sociedade.
A primeira edição decorreu de 18 a 22 de Setembro de 2019 e culminou com um comunicado de 28 recomendações e o Compromisso da Juventude Africana pela Cultura da Paz, que incluiu seis recomendações.
A segunda edição, realizada de 27 de Novembro a 2 de Dezembro de 2021, teve como lema “Artes, Cultura e Património: Alavancas para Construir a África que Queremos”. Entre os resultados figuraram a criação da Aliança de Parceiros para uma Cultura de Paz em África, a adopção de um comunicado final e de um roteiro para a execução de iniciativas prioritárias.
A terceira edição, realizada de 22 a 24 de Novembro de 2023, abordou o papel da educação, da cultura de paz e da cidadania africana no desenvolvimento sustentável.
O encontro reforçou a necessidade de integrar a cultura de paz nas políticas públicas e nas estratégias nacionais de desenvolvimento.
Na edição de 2026, a escolha da governação da água reflecte a importância dos recursos hídricos para a estabilidade social e económica, num contexto marcado por secas, cheias, alterações climáticas e desigualdades no acesso à água potável e ao saneamento.
A iniciativa pretende, assim, incentivar soluções conjuntas para a gestão sustentável e partilhada da água, com base no diálogo, na cooperação científica e no respeito pelos interesses das populações, sobretudo nas regiões mais vulneráveis do continente.ART




