Angola e Japão assinalam, na quarta-feira, 9, 50 anos do estabelecimento das relações diplomáticas, marcados por uma trajectória de amizade, cooperação e respeito mútuo, destacou a embaixadora de Angola no Japão, Teodolinda Coelho.
Num artigo alusivo à efeméride, a diplomata sublinhou que a data constitui uma oportunidade para reflectir sobre os avanços alcançados ao longo das últimas cinco décadas e renovar o compromisso de aprofundar as relações bilaterais.
Teodolinda Coelho destacou, também, os valores partilhados pelos dois povos, entre os quais a coragem, determinação, resiliência e capacidade de superar adversidades e transformar desafios em oportunidades.
Segundo a embaixadora, o Japão tem sido um importante parceiro de Angola, sobretudo no período do pós-guerra civil, através de programas humanitários, acções de desminagem, reabilitação e apetrechamento de unidades hospitalares, incluindo o Hospital Josina Machel, em Luanda, além de iniciativas nos domínios da agricultura e da estabilização social.
Nova etapa
A abertura da Embaixada de Angola no Japão, em Novembro de 2001, e da Embaixada do Japão em Angola, em Janeiro de 2005, marcou, de acordo com a diplomata, uma nova etapa no fortalecimento da presença diplomática e da cooperação entre os dois países.
A cooperação japonesa contribuiu igualmente para a recuperação de infra-estruturas e para o desenvolvimento de sectores estratégicos, incluindo a reabilitação de unidades industriais têxteis, como a SATEC, Alassola e Textang II, a expansão das comunicações, a modernização do Porto do Namibe e do Porto Mineiro do Sacomar, além de projectos nos sectores da saúde, formação profissional, energia e água, agricultura, turismo e assistência técnica.
No domínio económico, Teodolinda Coelho destacou o Acordo sobre a Liberalização, Promoção e Protecção de Investimentos Japão–Angola (ALPPI), em vigor desde Julho de 2024, considerando-o um instrumento importante para reforçar a segurança jurídica, promover investimentos e estimular parcerias empresariais entre os dois países.
A diplomata realçou ainda as oportunidades resultantes do processo de diversificação da economia angolana, particularmente nos sectores da agricultura, turismo, indústria, comércio e serviços, defendendo uma maior participação de empresas japonesas no mercado nacional.
Sectores estratégicos
Entre as áreas estratégicas, destacou o Corredor do Lobito e o Corredor Sul, associado ao Porto do Namibe e ao Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, infra-estruturas que, segundo a embaixadora, podem contribuir para a integração económica regional e continental e para a atracção de investimentos.
No plano político e diplomático, as relações entre os dois países têm sido reforçadas através de consultas bilaterais e visitas de alto nível. A embaixadora destacou as deslocações do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço ao Japão, em 2019, 2023 e 2025.
A participação de Angola na TICAD 9, realizada em Yokohama, constituiu igualmente um momento de destaque, com o Presidente angolano, na qualidade de Presidente em Exercício da União Africana, a copresidir ao evento com o então primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba.
Para o futuro, Teodolinda Coelho defende o reforço da cooperação em áreas como turismo, transportes, pescas, energia, minerais, ciência e tecnologia, bem como o aumento da participação de empresas japonesas em Angola através de parcerias e joint ventures.




