A secretária-geral da União Africana de Matemática, Maria de Natividade, exortou, quarta-feira, o Governo angolano a investir mais na formação de professores de Matemática dos sistemas de Ensino Geral e universitário, com vista a tornar o curso mais atractivo.
Em declarações à imprensa, no final de uma audiência concedida pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, a secretária-geral da União Africana de Matemática, Maria de Natividade, apontou as soluções para responder aos desafios do sector. Entre as prioridades, destacou o reforço do apoio financeiro, a melhoria das condições técnicas, a realização de encontros nacionais e congressos, além do impulso às olimpíadas pan-africanas de Matemática. Maria de Natividade defendeu ainda a necessidade de formações regulares para professores de todos os níveis de ensino. Segundo a secretária-geral da União Africana de Matemática, a nível do continente, Angola destaca-se entre os países que ainda enfrenta “problemas de base” no que diz respeito à aprendizagem, formação e adesão ao curso de Matemática. Para a académica, a solução para este desafio passa, prioritariamente, pela aposta na formação, valorização e fiscalização do corpo docente, apelando ao Go-verno e aos seus parceiros para que invistam no sector das ciências exactas. “O ensino da Matemática em Angola, em comparação com os demais países africanos, encontra-se no último escalão da classificação no que diz respeito à qualidade da formação de professores, quer para o Ensino Geral, quer para o universitário, bem como na adesão ao curso”, lamentou. Segundo Maria de Natividade, o fraco desenvolvimento da Matemática em Angola é evidenciado pelo facto de a Universidade Agostinho Neto (UAN) ser a única instituição no país a dispor de um departamento com licenciatura na área. Esta concentração institucional reflecte um défice no sector, limitando a expansão do ensino superior em ciências exactas. Além de possuir apenas uma instituição a leccionar o curso, o país conta com apenas dois docentes doutorados na referida especialidade. “A escassez destas duas componentes — a física e a humana — coloca Angola no último escalão da classificação a nível continental”, sublinhou a académica. A académica alertou que o ensino da Matemática em Angola está em níveis críticos, carecendo de condições mínimas para leccionar licenciaturas e mestrados. Recordou que, enquanto professora da Universidade Agostinho Neto, recebeu, durante muitos anos, estudantes, muitos dos quais docentes de Matemática, que apresentavam dificuldades da 7.ª. e 8.ª classes, difíceis de recuperar no nível superior. Maria de Natividade concluiu que a Vice-Presidente, Esperança da Costa, garantiu o apoio do Executivo para tornar o curso de Matemática atractivo e investir na formação docente. Desenvolvimento da aquicultura O desenvolvimento da aquicultura a nível do continente africano dominou, ontem, em Luanda, a segunda audiência que a Vice-Presidente da República concedeu à vice-presidente da WIMÁFRICA para os países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Francisca Delgado. Em declarações à imprensa, a também presidente da Sociedade Mundial de Aquicultura Capítulo África, disse que o encontro serviu para apresentar à Vice-Presidente da República a sua recente eleição, bem como analisar aspectos sobre aquicultura sustentável e apoio dos governos. Francisca Delgado aproveitou a ocasião para anunciar a realização da Conferência Mundial da Aquicultura, que acontece em Dezembro deste ano na Tanzânia, um evento que prevê juntar técnicos de todos os capítulos a nível mundial, incluindo financiadores.




