O alto representante residente da Comissão da União Africana (CUA), Mohamed Chambas, defendeu, sexta-feira, em Luanda, a protecção dos recursos hídricos e das infra-estruturas de abastecimento de água como medidas fundamentais para prevenir conflitos e garantir a paz e a segurança das populações africanas.
Ao intervir na 4.ª edição da Bienal de Luanda —Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, o responsável destacou a importância do diálogo, da confiança mútua e da cooperação científica na prevenção e resolução de conflitos, sobretudo nas regiões afectadas pela escassez de água, pelas alterações climáticas e pela violência armada.
As secas, as inundações e as alterações climáticas, alertou, exercem uma pressão crescente sobre as comunidades africanas, situação que se agrava quando associada à fragilidade das instituições, à instabilidade política e à disponibilidade de armas.
Mohamed Chambas defendeu que a recuperação dos sistemas de abastecimento de água e saneamento deve ser considerada uma prioridade nos processos de estabilização e reconstrução, tendo em conta a importância destes serviços para a saúde pública, a dignidade da pessoa humana e o desenvolvimento.
No quadro da Agenda 2063 da União Africana, o alto representante da Comissão da União Africana defendeu o reforço da articulação entre as instituições responsáveis pela paz e segurança, pela agricultura, pela gestão dos recursos hídricos e pelo desenvolvimento sustentável.
Chambas é de opinião que as políticas de gestão da água devem ser integradas nas estratégias continentais de prevenção de conflitos, para garantir uma utilização sustentável dos recursos naturais e contribuir para a prosperidade dos povos.
Mohamed Chambas alertou, na ocasião, que a desinformação pode agravar as tensões em torno dos recursos escassos, sobretudo em contextos marcados pela fragilidade institucional e pela falta de confiança entre as comunidades.
As parcerias, disse, devem contemplar não apenas a construção de infra-estruturas, mas também a formação de pessoal local, a manutenção dos sistemas e o reforço das instituições responsáveis pela sua gestão.
Recomendações às deliberações da Bienal
Ao apresentar as recomendações para as deliberações da Bienal, Mohamed Chambas reiterou que o acesso à água deve ser reconhecido como um direito fundamental e um elemento indispensável à saúde, à investigação científica, à industrialização e ao desenvolvimento urbano e rural.
O responsável defendeu que os compromissos assumidos durante a Bienal de Luanda devem traduzir-se em acções concretas nos Estados, nas regiões e nas comunidades, permitindo que a água seja utilizada como instrumento de cooperação, confiança e desenvolvimento sustentável.
“As crianças e as mulheres devem ir buscar água em segurança. As comunidades vizinhas devem conseguir resolver os seus conflitos sem violência, recorrendo sempre ao diálogo”, afirmou o representante da UA.




