O líder da UNITA criticou, esta Terça-feira, o investimento governamental de 316,8 milhões de dólares no Centro de Convenções da Chicala, considerando que é “a prova de que o executivo não conhece Angola”.
"A inauguração do Centro de Convenções da Chicala, com o seu custo astronómico de 316,8 milhões de dólares, não é apenas mais uma obra pública. É a prova viva de que o executivo não conhece Angola. Não conhece a fome que aperta. Não conhece o desemprego que sufoca. Não conhece a ânsia de um povo que quer trabalhar, produzir e viver com dignidade", reagiu Adalberto Costa Júnior à inauguração, Segunda-feira, da infra-estrutura pelo Presidente da República, João Lourenço.
Segundo o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), se esta força política estivesse no poder "a opção seria racialmente outra", argumentando que "um país não se desenvolve com palácios vazios, desenvolve-se com fábricas a funcionar, campos a produzir e empresas a gerar riqueza".
"Se tivéssemos que decidir como utilizar aproximadamente 316,8 milhões de dólares, transformaríamos esse dinheiro numa plataforma nacional de produção, conhecimento, emprego e desenvolvimento", indicou.
Adalberto Costa Júnior realçou que 70 milhões de dólares seriam investidos no sector da educação, para construir novas escolas e reabilitar as existentes, 35 milhões de dólares cada seriam aplicados na área da saúde e no apoio a empresários, 'startups' e indústria, 50 milhões de dólares para uma revolução agro-industrial, 15 milhões de dólares para formação tecnológica e profissional, 36,8 milhões de dólares para água, estradas e energia e 75 milhões de dólares para uma nova política de refinação.
"É assim que o dinheiro público deixa de ser apenas despesa e passa a ser capital catalisador", referiu o líder do maior partido da oposição, considerando ainda que "esta é a diferença entre gastar o dinheiro do povo e governar".
De acordo com o político, "pode-se gastar centenas de milhões numa única obra. Ou pode-se utilizar o mesmo recurso para criar escolas, hospitais, empresas, fábricas, agricultores empresariais, técnicos especializados, estradas e capacidade industrial".
A nova infra-estrutura, com capacidade para milhares de pessoas, a pensar no turismo de negócios e eventos, foi inaugurada pelo chefe de Estado, que, em declarações à imprensa, referiu que "Angola abriu-se ao mundo e, como consequência disso, tem conseguido atrair, particularmente para a sua capital Luanda, importantes eventos internacionais".
O novo espaço foi construído onde há três anos era mar, no centro da capital do país, Luanda, tendo João Lourenço destacado a importância da obra para receber eventos internacionais, até agora realizados em tendas e hotéis.



