O secretário provincial da UNITA no Bié, Osvaldo Kaimi, denunciou a degradação das vias de acesso a vários municípios da província e defendeu maior autonomia dos governos provinciais para responder a problemas urgentes das populações.
O dirigente da UNITA falava esta quarta-feira, 9, durante uma conferência de imprensa destinada a abordar o quadro social, económico, político e cultural da província, ocasião em que apontou como uma das principais preocupações o estado das estradas que ligam os municípios do Umpulu e Ringoma.
Segundo Osvaldo Kaimi, durante uma deslocação realizada aos dois municípios, nos dias 16 e 17 de Julho, constatou o que descreveu como o “estado degradante” das vias de acesso, situação que, na sua avaliação, está a dificultar a circulação de pessoas e bens.
“Constitui um caos na circulação de pessoas e de bens”, afirmou.
Perante o cenário, o secretário provincial da UNITA questionou o actual modelo de governação, defendendo que os governos provinciais devem dispor de maior capacidade operacional para executar intervenções básicas e urgentes nas estradas, incluindo trabalhos de manutenção.
Kaimi considera que não deve existir uma dependência exclusiva de Luanda para a resolução de problemas que, segundo entende, podem ser solucionados localmente.
“Não se pode continuar a considerar que tudo o que é nacional deve estar exclusivamente dependente de Luanda, enquanto as demais províncias enfrentam vários problemas e muitos destes deviam ser resolvidos localmente, em tempo real”, defendeu.
O político propõe um modelo em que o poder central continue responsável pela definição das políticas e dos padrões nacionais, mas atribua aos governos provinciais margem de intervenção para responder rapidamente a situações urgentes.
“O Estado deve ser um sistema articulado, onde o central define políticas e padrões, mas o nível provincial tenha margem de acção para manutenção imediata e intervenções urgentes”, afirmou.
O secretário provincial da UNITA no Bié alertou ainda para o risco de a manutenção das estradas se transformar num espaço de interesses e de negócios administrativos, considerando que tal cenário poderá contribuir para uma gestão mais lenta e distante das necessidades das populações.
Na mesma conferência de imprensa, Osvaldo Kaimi abordou a implementação da nova Divisão Político-Administrativa, reconhecendo que a medida permitiu a criação de novos municípios, mas questionando a capacidade destes em garantir serviços públicos adequados.
Segundo o dirigente partidário, o aumento do número de municípios não foi acompanhado, em todos os casos, pela criação das condições necessárias para assegurar serviços essenciais, com particular incidência para o sector da saúde.
Para a UNITA no Bié, a descentralização administrativa deve ser acompanhada de recursos, capacidade de decisão e condições materiais que permitam às administrações locais responder aos problemas das comunidades sem depender de processos demorados a nível central.




