O secretário provincial da UNITA no Bié, Osvaldo Kaimy, defende a implementação das autarquias locais como uma forma de aproximar os governantes das populações e reforçar a responsabilização dos responsáveis públicos perante os cidadãos.
Em declarações à imprensa, o dirigente partidário afirmou que a eleição dos administradores municipais permitiria estabelecer uma relação mais directa entre os responsáveis pela governação local e as comunidades, facilitando também a cobrança dos cidadãos sobre a gestão dos seus municípios.
“Precisamos que os administradores sejam eleitos. Para facilitar a nossa conversa com o povo”, afirmou Osvaldo Kaimy.
Segundo o responsável da UNITA no Bié, o actual modelo de governação dificulta, na sua perspectiva, a responsabilização directa dos governantes locais, uma vez que muitas decisões dependem de orientações superiores.
“Este trabalho vai fazer com que o próprio povo depois venha a cobrar. Hoje o povo até pode cobrar, mas se o governador andou bem ou não, como depende das ordens, depende da disciplina partidária de cima, fica tudo a Deus dará”, declarou.
A posição de Osvaldo Kaimy surge num contexto em que a UNITA tem defendido publicamente a descentralização e a implementação do poder autárquico. Recentemente, o partido voltou a apresentar as autarquias como mecanismo de participação dos cidadãos na governação e de fiscalização da gestão pública.
No Bié, o secretário provincial da UNITA também tem defendido maior autonomia dos governos provinciais para responder a problemas que afectam directamente as populações. Numa intervenção recente, apontou a degradação das estradas e a necessidade de maior capacidade de intervenção local, argumentando que determinadas situações não deveriam depender exclusivamente de decisões tomadas em Luanda.
Sobre o ambiente político na província, Osvaldo Kaimy apelou para uma competição baseada no debate e no respeito entre os diferentes partidos.
“Sempre que estivermos juntos com a governadora temos estado a tocar nesta questão. Queremos um debate saudável, onde a competição seja salutar. Não há necessidade de estarmos a nos insultar ou a nos provocar”, afirmou.
O dirigente disse ainda que a direcção provincial da UNITA não pretende responder a provocações, defendendo, em alternativa, o contacto directo com as populações.
“Não vamos aceitar a provocação. Não vamos ceder à provocação. Mas vamos falar com o povo, porque temos que nos acercar. Temos que conversar com o povo”, acrescentou.
Na avaliação apresentada pelo político, entre as principais preocupações das populações estão as dificuldades no acesso à água, energia, educação, medicamentos e as condições das estradas.
“O povo está a sofrer. O povo tem problemas com falta de água, falta de energia, falta de escolarização, de medicamentos. As estradas estão esburacadas”, afirmou, defendendo que os responsáveis pela governação devem ser questionados sobre as respostas dadas a esses problemas.
Osvaldo Kaimy anunciou igualmente a realização, no próximo sábado, de um acto de massas da UNITA, que deverá servir para discutir questões relacionadas com as condições de vida das populações e o futuro do país.
A defesa das autarquias pela UNITA ocorre num momento de preparação para as eleições gerais de 2027, enquanto o debate sobre a descentralização e o poder local continua a fazer parte da agenda política nacional.




