Ameaça crescente: proteção e investigação a menores

Resumo: Magistrados alertam para o aumento de abusos sexuais contra menores e para falhas na recolha de provas. Apelo à maior celeridade e coordenação das polícias para garantir proteção e responsabilização.
Pontos-chave
Durante reunião de coordenação judiciária em Luanda, operadores da justiça discutiram o crescimento dos crimes de abuso sexual contra menores e as dificuldades práticas na investigação. Os magistrados destacaram que, muitas vezes, a detenção ocorre sem mandado e a recolha de provas não respeita os prazos legais, o que compromete processos e exposição das vítimas a novos riscos. É pedido reforço urgente de atuação policial.
O Ministério Público e o Tribunal da Comarca de Luanda relataram que, por ausência de diligências rápidas, provas são perdidas ou recolhidas tardiamente, fragilizando ações penais. As autoridades sublinharam que, quando a vítima permanece no ambiente familiar e o suspeito regressa ao convívio, aumenta significativamente a probabilidade de repetição dos abusos. Exige‑se melhor preservação e conservação das provas para permitir condenações eficazes.
Juízes e procuradores apontaram também fragilidades institucionais e a necessidade de articulação entre SIC, DIIP e Polícia Nacional para assegurar investigações céleres. A investigação forense, o levantamento tempestivo de vestígios e a proteção imediata das menores vítimas foram identificados como prioridades. Em paralelo, as instâncias judiciais pedem formação e recursos para unidades de apoio ao juiz de garantias, reforçando salvaguardas processuais.
As autoridades judiciais apelaram a medidas protetivas mais eficazes para vítimas e testemunhas, incluindo acolhimento especializado e acompanhamento psicológico, de modo a reduzir retraumatização e melhorar a recolha de depoimentos. Foi enfatizado que a demora processual e a libertação por falta de provas minam a confiança pública no sistema e colocam em risco a integridade das vítimas, exigindo resposta institucional coordenada e transparente.
Em síntese, o encontro serviu para reconhecer a tendência crescente dos crimes contra menores e para reclamar maior proatividade das polícias e dos serviços de investigação criminal. Magistrados defendem cumprimento rigoroso dos prazos legais e melhores procedimentos de preservação de provas, bem como iniciativas de prevenção e sensibilização comunitária para reduzir impunidade e proteger crianças e adolescentes vulneráveis em contextos familiares.


