Desnutrição Infantil Mata 11 em Maquela do Zombo

Resumo: A falta de medicamentos e a dificuldade das famílias em custear tratamentos agravam a desnutrição infantil em Maquela do Zombo, no Uíge. Autoridades e organizações de saúde apelam ao reforço da prevenção, do aleitamento materno e dos cuidados básicos.
Pontos-chave
Entre janeiro e junho, Maquela do Zombo registou 41 casos de desnutrição infantil e 11 mortes, segundo dados divulgados pelas autoridades locais. A situação expõe a fragilidade do acesso ao tratamento e à assistência nutricional, sobretudo em comunidades com maiores dificuldades económicas e menor cobertura de cuidados de saúde.
A escassez de medicamentos tem pesado no agravamento dos casos, forçando famílias a procurar alternativas para assegurar o tratamento das crianças. Responsáveis de saúde relatam ainda que muitos agregados não conseguem suportar despesas básicas, incluindo produtos como leite terapêutico, necessários para a recuperação dos doentes.
As equipas no terreno têm intensificado ações de sensibilização comunitária para incentivar o acompanhamento médico e o envolvimento das famílias no tratamento. A estratégia procura reduzir os abandonos terapêuticos e melhorar a resposta local, num contexto em que a desnutrição pode evoluir rapidamente para quadros graves e fatais.
Segundo orientações da OMS, o tratamento da desnutrição aguda grave exige acompanhamento em duas fases: estabilização clínica com fórmulas específicas e, depois, recuperação nutricional com maior aporte energético e proteico. O processo depende de vigilância constante, acesso regular a insumos e diagnóstico precoce para evitar complicações.
O UNICEF alerta que a desnutrição infantil em Angola contribui para a mortalidade e para danos permanentes no desenvolvimento cognitivo. A agência defende reforço dos cuidados à gestante, ao recém-nascido e à criança, além da amamentação exclusiva até aos seis meses e continuada até aos 23 meses.


