Ana Paula Tavares conquista Prémio Camões 2025

Resumo: Ana Paula Tavares é a vencedora do Prémio Camões 2025, pelo seu percurso estético e pelo resgate da dignidade da poesia em língua portuguesa.
Pontos-chave
Em 9 de outubro de 2025, a escritora angolana Ana Paula Tavares foi anunciada como vencedora da 37.ª edição do Prémio Camões, o galardão literário mais prestigiado da língua portuguesa, no valor de 100 mil euros. O anúncio foi feito por um júri internacional composto por académicos de Portugal, Brasil e países africanos lusófonos, destacando o mérito de sua trajetória. Reconhece-se o alcance simbólico e cultural da honraria.
O júri enfatizou a fecunda e coerente trajetória de criação estética de Tavares, realçando sobretudo o resgate da dignidade da sua poesia, bem como a dimensão antropológica e histórica que caracteriza sua obra. A escolha reforça a relevância de vozes africanas na literatura em língua portuguesa e celebra a contribuição singular da autora para o património literário lusófono. Este reconhecimento amplia diálogo sobre o papel das mulheres na cultura literária.
Ana Paula Tavares torna-se a terceira autora angolana a receber o prémio, juntando-se a Artur Pestana “Pepetela” (1997) e Luandino Vieira (2006), este último único detentor a recusar a distinção por razões pessoais. Até aqui, o Camões distingue escritores de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde e Angola, fortalecendo laços culturais e literários entre as nações de língua portuguesa. Este retrospecto realça a história e a diversidade editorial do galardão.
Formado em História e mestre em Literaturas Africanas pela Universidade de Lisboa, Tavares é docente e pesquisadora, com obras que abrangem poesia, crónica e ficção narrativa. Entre seus títulos de destaque estão “Ritos de Passagem”, “O Lago da Lua” e “Dizes-me Coisas Amargas Como os Frutos”, refletindo temáticas sociais e usos simbólicos de cores e ornamentos. Sua produção literária integra ensaios e textos históricos sobre Angola, reforçando seu impacto académico.
O Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos de Portugal e Brasil, celebra anualmente autores que enriquecem o património literário lusófono, atribuindo 100 mil euros ao vencedor. Com 15 premiados do Brasil, 14 de Portugal e representantes de seis países lusófonos, esta distinção sublinha a relevância global da língua e a importância de reconhecer vozes históricas e emergentes, promovendo o diálogo intercultural. Este prémio inspira gerações de novos autores lusófonos.



