Angola emite dívida com alívio mas alerta riscos

Resumo: A emissão de US$1,75 mil milhões em Eurobonds deu alívio de liquidez a Angola, mas mantém alto o rácio dívida/PIB e as necessidades de financiamento.
Pontos-chave
Em 13 de outubro de 2025, Angola emitiu pela primeira vez desde 2022 Eurobonds no valor de 1,75 mil milhões de dólares, estruturados em duas tranches: uma de US$1 bilhão a cinco anos com cupão de 9,25% e outra de US$750 milhões a dez anos com cupão de 9,78%, aproveitando janela de preços favorável e elevada procura dos mercados internacionais, conforme destacou o Ministério das Finanças, que registou intenções superiores a US$6 bilhões.
A consultora Oxford Economics alerta para as elevadas necessidades anuais de financiamento bruto de Angola e para o elevado rácio dívida/PIB, estimado acima de 100%, enfatizando uma perspectiva cautelosa face à sustentabilidade das contas públicas caso os preços do petróleo Brent não se mantenham em patamares favoráveis. O documento sugere políticas compensatórias para mitigar o impacto de cortes de subsídios e reforçar reformas fiscais fundamentais para diversificar a economia.
O relatório destaca sinais promissores de estabilização macroeconómica em Angola, com o aumento da produção de petróleo e dos preços a garantir uma queda nas taxas de juro exigidas pelos investidores para cerca de 10%, reduzindo o risco de isolamento do país nos mercados internacionais. Esta evolução pode apoiar a confiança dos credores e facilitar futuras emissões de dívida, sobretudo se o contexto global permanecer estável.
O Governo anunciou a emissão de Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira (OT-ME) de até US$300 milhões para complementar o financiamento externo, diversificar fontes e otimizar a gestão da dívida pública, visando assegurar o equilíbrio orçamental do Estado para 2025. Segundo o Ministério das Finanças, esta iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de captação de recursos, alinhada com a perceção de risco global e as prioridades de investimento.
Os pedidos de subscrição ultrapassaram US$6 milhões, demonstrando a confiança dos investidores internacionais na economia angolana e reforçando a credibilidade do país perante os mercados, segundo o Ministério das Finanças e a Oxford Economics. A consultora britânica sublinha que este momento estratégico pode facilitar futuras captações e sustentar medidas de políticas fiscais, desde que acompanhado de reformas estruturais e estabilidade nos preços do petróleo.


