Dívida angolana destaca Portugal entre credores

Resumo: Angola fechou o semestre com 72 mil milhões de dólares em dívida e Portugal passou a figurar entre os credores destacados, impulsionado pela linha bilateral de crédito.
Pontos-chave
No balanço do primeiro semestre, o Governo angolano confirmou que a dívida pública atingiu 72,04 mil milhões de dólares, equivalentes a 51,24% do PIB. A apresentação sublinhou a pressão do serviço da dívida e a necessidade de manter financiamento com maior previsibilidade, num contexto de taxas ainda elevadas e mercados externos voláteis.
Um dos dados mais notados foi o destaque dado a Portugal, cuja exposição passou a surgir separadamente entre os credores internacionais. Segundo a UGD, isso resulta do aumento dos desembolsos da linha bilateral de financiamento, usada em projectos como a Marginal da Corimba, a Fortaleza do Penedo e a catedral de Kulumbimbi.
O stock da dívida continua, porém, dominado pelo mercado doméstico, seguido do financiamento externo em títulos e da China, cuja quota voltou a cair. Os Estados Unidos mantêm peso relevante, sobretudo através de instituições multilaterais, enquanto a componente colateralizada ligada ao petróleo continua em trajectória descendente.
As dívidas atrasadas do Estado também recuaram no semestre, com pagamentos acima das novas obrigações reconhecidas pela Inspecção-Geral da Administração do Estado. O Governo diz que esse esforço ajuda a canalizar liquidez para o القطاع privado, mas reconhece que a exposição cambial e o custo médio da dívida seguem como desafios.
Para o segundo semestre, o regresso aos mercados internacionais permanece uma incógnita. A decisão dependerá de uma janela favorável de juros e do limite do plano anual de endividamento. O Executivo espera ainda que a receita petrolífera mais forte alivie a tesouraria e ajude a conter a necessidade de novo financiamento.


