Angola resiste ao choque inflacionário externo
Por TopAngola ·

Resumo:
A inflação em Angola desacelerou para 10,1% em Junho, sinalizando proteção face ao choque da guerra no Médio Oriente e ao Brent ainda elevado.
Pontos-chave:
A Oxford Economics avaliou que o abrandamento da inflação homóloga para 10,1% em Junho mostra que Angola permaneceu, em grande medida, protegida do impacto inflacionário da guerra no Médio Oriente. A consultora sublinha que a economia local não sentiu o choque com a mesma intensidade observada noutras regiões, apesar da tensão geopolítica persistente.
Os analistas destacam que a subida dos preços desacelerou pelo 23.º mês consecutivo, confirmando uma trajetória de alívio no índice nacional. Para a consultora, este comportamento reflete alguma resiliência interna, mesmo num contexto internacional marcado por incerteza no petróleo, dificuldades no estreito de Ormuz e avanços e recuos nas negociações de paz.
A nota enviada aos investidores lembra que a circulação no estreito de Ormuz continua a ser um fator de risco para o mercado energético. Ainda assim, a expectativa de preços do Brent elevados em 2026 pode preservar margem de manobra para Angola, ajudando o país a evitar pressões inflacionárias mais fortes vindas do exterior.
Segundo o INE, a inflação em Angola fixou-se em 10,11% face a 19,73% no período homólogo, com uma desaceleração de 9,62 pontos percentuais face ao mesmo mês de 2025. O Índice de Preços no Consumidor Nacional recuou também 0,76 pontos em relação a Maio, reforçando o cenário de arrefecimento.
Entre as classes, Transportes liderou a subida homóloga, com 15,40%, seguida de Educação e de Habitação, água, electricidade e combustíveis. Contudo, a maior contribuição para a inflação veio de Alimentação e bebidas não alcoólicas, enquanto ao nível provincial Cabinda, Malanje e Moxico registaram as maiores variações de preços.



