Congresso da FNLA marcado por crise interna
Por TopAngola ·

Resumo:
O próximo congresso da FNLA reunirá 1.103 delegados e terá custo estimado em 150 milhões Kz. Mas a disputa entre alas e a duplicação de comissões continua a travar o partido.
Pontos-chave:
A FNLA prepara o próximo congresso com 1.103 delegados escolhidos nas conferências provinciais, municipais e comunais. O encontro deverá custar 150 milhões Kz e servirá para eleger o novo presidente e o Comité Central. Porém, a organização do conclave decorre sob forte tensão, devido às disputas internas que continuam a dividir a liderança.
A crise ficou evidente com a existência de duas comissões preparatórias. O Comité Central escolheu Ndonda Nzinga para coordenar o processo, mas Nimi- a- Simbi rejeitou essa decisão e criou outra estrutura, dirigida por João Roberto Soki. Para a direção do partido, a comissão nascida da decisão interna não tem validade estatutária.
Enquanto isso, a ala ligada a Nimi- a- Simbi afirma manter os trabalhos em curso, apesar de assembleias provinciais paralelas promovidas por dissidentes. A disputa pelo controlo da máquina partidária tem alimentado incerteza sobre o futuro imediato da FNLA, num momento em que o partido tenta reorganizar-se para o congresso e recuperar coesão política.
Fundada em 1954 como UPNA e transformada em FNLA em 1962, após fusão com o PDA, a formação foi um dos movimentos nacionalistas que combateram o colonialismo português. Também participou nos Acordos de Alvor, em 1975. Nas eleições de 2022, conseguiu eleger dois deputados.
Apesar do peso histórico, o partido enfrenta agora um desafio de sobrevivência política: realizar um congresso reconhecido por todas as alas. As decisões sobre a comissão preparatória tornaram-se o centro do conflito, e o sucesso do conclave dependerá da capacidade de acomodar divergências e evitar novas ruturas internas.



