Angola lidera FP-CIRGL por dois anos

Resumo: Angola assume o comando do Fórum Parlamentar da CIRGL por dois anos. Carolina Cerqueira foca paz, estabilidade e soberania popular nos Grandes Lagos.
Pontos-chave
Em 25 de abril de 2025, na 15.ª Sessão Plenária do Fórum Parlamentar da CIRGL, mais de cem delegados elegeram Carolina Cerqueira, presidente da Assembleia Nacional angolana, como nova líder do órgão, entregando a Luanda a presidência rotativa da organização interparlamentar da Região dos Grandes Lagos. A votação ocorreu na Sala do Plenário da Assembleia Nacional, encerrando três dias de debates.
Os parlamentares aprovaram por unanimidade o alargamento do mandato da presidência de um para dois anos, garantindo continuidade estratégica. Assim, Angola chefiará o Fórum até a 17.ª sessão, prevista para abril de 2026, em Kampala. O encontro reuniu 115 delegados dos 12 parlamentos-membros, entre presidentes de comissões e secretários-gerais, que saudaram a medida como passo essencial para agendas de longo prazo.
Eurico Gonçalves, especialista em Ciência Política, frisa que a nova liderança deve ir além de “fazer leis”: precisa vigiar a aplicação correcta, assegurando soberania popular. Cerqueira alinhou o foco em paz e segurança no Leste da RDC, República Centro-Africana, Sudão e Sudão do Sul, declarando que “o diálogo parlamentar é instrumento de pacificação” e que Angola pretende usar sua experiência de reconciliação interna.
A Declaração Final aprovou resoluções sobre crises político-militares em CAR, RDC, Sudão do Sul e Sudão, defendendo diplomacia multilateral. Realça-se a boa governação, transição energética, saúde sexual e reprodutiva e ensino público como bases do desenvolvimento. Foi criado um grupo de trabalho (Angola, Burundi, RDC) para auditoria externa e monitorização orçamental, e será lançada missão parlamentar aos países afectados para recolher dados e propor soluções.
Os delegados ratificaram Deo Osmund Mwapinga, da Tanzânia, como novo Secretário-Geral para um mandato único de três anos. A CIRGL apoiará a construção de sede permanente em Kinshasa e trabalhará com UA e ONU na conferência africana de mulheres e na reforma do Conselho de Paz e Segurança. Busca-se institucionalizar a administração do Fórum e reforçar a voz parlamentar nas decisões regionais de segurança. Próxima plenária: Kampala, abril de 2026.



