BNA elevou empréstimos ao Governo Central

Resumo: O Banco Nacional de Angola concedeu 35,572 mil milhões Kz ao Governo Central entre 2022 e 2025. Movimentações destacam aumento do crédito com ligeiro abrandamento em 2024, segundo apurou o Valor Económico.
Pontos-chave
Entre 2022 e 2025, o Banco Nacional de Angola registou um volume acumulado de crédito ao Governo Central de 35,572 mil milhões de kwanzas, terceiro pico histórico observado nas contas públicas; os dados revelam um crescimento progressivo até 2025, quando o crédito solicitado atingiu 11,386 mil milhões de kwanzas, evidenciando dependência crescente do Executivo face ao banco central.
Os depósitos do Governo no banco central mantiveram-se relativamente estáveis, flutuando na ordem de 2 mil milhões de kwanzas por ano, enquanto o montante emprestado aumentou; a tendência geral sinaliza uma política fiscal que recorre cada vez mais ao financiamento interno direto, com impacto potencial sobre a liquidez e a gestão das reservas cambiais, segundo análises económicas consultadas.
Em 2024 registou-se uma excepção: uma redução de 5,11% no total do crédito disponibilizado, que caiu para 8,267 mil milhões de kwanzas naquele ano; esse ligeiro abrandamento foi temporário e não inverteu a tendência de alta subsequente, contexto que levou analistas a alertar para a necessidade de maior transparência e de planos de consolidação fiscal para mitigar riscos macroeconómicos.
O recurso ao banco central como credor do Governo suscitou debate sobre sustentabilidade e disciplina orçamental, com economistas destacando a urgência de combinar reformas estruturais com limites claros de endividamento interno; a trajetória dos últimos anos mostra que, sem medidas complementares, o aumento do crédito pode pressionar a inflação e reduzir o espaço de política monetária disponível.
A reportagem do Valor Económico conclui que o padrão observado entre 2022 e 2025 exige monitorização contínua: é preciso coordenar políticas fiscais e monetárias, fortalecer receitas e controlar despesas para reduzir a dependência de empréstimos do banco central; em particular, enfatiza-se a necessidade de metas fiscais claras e mecanismos que promovam sustentabilidade no médio prazo.


