Trump cria Conselho da Paz e desafia a ONU

Resumo: Donald Trump formalizou um Conselho da Paz com dezenas de países, afirmando foco em Gaza e ambição global; a ONU qualifica-o de "amorfo" enquanto aliados europeus se mantêm reticentes.
Pontos-chave
Em Davos, Donald Trump anunciou a formalização do Conselho da Paz, um organismo com pelo menos 35 países representados e cuja entrada exigiu um pagamento de mil milhões de dólares, segundo comunicações públicas; a iniciativa é apresentada como destinada à reconstrução e paz em Gaza, mas tem gerado polémica sobre a sua natureza privada e o potencial de competir com a ONU nas atribuições internacionais.
A resposta das Nações Unidas foi rápida: o porta‑voz adjunto de António Guterres descreveu o novo órgão como amorfo, sem estrutura orgânica clara, e reafirmou o compromisso da ONU com a sua Carta e o mandato dos seus 193 estados‑membros; a organização sublinhou que continuará a liderar esforços humanitários e de manutenção da paz, avaliando caso a caso qualquer cooperação com entidades externas.
Entre os convidados e signatários figuram Estados de diversas regiões, incluindo Hungria, Arábia Saudita, Emirados e países de África e Ásia, enquanto muitos aliados europeus como França, Reino Unido, Alemanha e Portugal recusaram ou não responderam; a ausência europeia suscita dúvidas sobre a legitimidade política e operacional do Conselho, e analistas apontam risco de fragmentação multilateral se o projecto ganhar escala.
Trump anunciou que o primeiro foco será Gaza, com metas de cessar‑fogo, desmilitarização parcial e reconstrução, afirmando que o Conselho poderá depois intervir em outros conflitos; críticos lembram que o financiamento privado e a vinculação à liderança norte‑americana podem comprometer percepções de imparcialidade e respetiva aceitação internacional, assim como levantar questões sobre direitos, soberania e coordenação com organismos humanitários.
No plano geopolítico, há especulação sobre adesões futuras, incluindo declarações russas de interesse e a possibilidade de utilização de ativos congelados como fonte de financiamento; apesar das promessas de cooperação com a ONU, a iniciativa reacendeu debates sobre a necessidade de reformas nas instituições multilaterais e sobre como equilibrar liderança política, respeito ao direito internacional e eficácia nas respostas a crises.
Fontes
Trump já tem o seu "Conselho de Paz" criado formalmente e não esconde o objectivo de anular o Conselho de Segurança da ONU – É uma organização "amorfa", acusa Guterres
Trump formaliza criação do Conselho de Paz e volta a criticar a ONU
Rússia/Ucrânia: Afinal Zelensky vai a Davos falar com Trump que acredita estar próxima a paz entre russos e ucranianos



