Crise de acreditação nos cursos superiores

Resumo: Mais de 40% dos cursos superiores em Angola não estão acreditados, revelando fragilidades do sistema de ensino. O cenário exige fiscalização reforçada e medidas imediatas para proteger a qualidade académica.
Pontos-chave
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior mostram que mais de 40% dos cursos superiores ministrados no país carecem de acreditação. Esta situação gera preocupação entre académicos e estudantes, que questionam a legitimidade e a qualidade da formação oferecida por várias instituições. Especialistas pedem transparência e auditorias detalhadas para identificar responsabilidades e falhas institucionais.
Para académicos como Agostinho Paulo, a elevada percentagem de cursos não acreditados é uma clara demonstração de fraquezas estruturais no ensino superior angolano. Ele considera que o fenómeno reflete um ensino muitas vezes orientado pelo lucro, em detrimento do rigor académico. A comunidade universitária exige que o Ministério do Ensino Superior imponha critérios mais rígidos no licenciamento e no funcionamento das instituições privadas e públicas.
O director-geral do INAAREES, Jesus Tomé, apelou a maior rigor e controlo no sistema de ensino, sublinhando a necessidade de avaliações externas consistentes e publicamente acessíveis. A divulgação dos resultados deve vir acompanhada de informações detalhadas sobre as instituições afetadas, para que estudantes e empregadores possam avaliar a validade dos cursos. Sem estes dados, o debate público fica prejudicado e a confiança no sistema diminui.
Representantes estudantis, como o presidente da Associação dos Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade do Namibe, destacam que a falta de acreditação põe em causa a legitimidade dos cursos e prejudica o futuro profissional dos diplomados. A pressão por soluções inclui propostas para reforçar mecanismos de certificação e responsabilização das instituições que abrem cursos sem condições minimamente asseguradas para a qualidade educativa.
Especialistas em educação defendem fiscalizações mais frequentes e critérios transparentes para o licenciamento de cursos e instituições. Medidas urgentes sugeridas passam pela revisão de normas, capacitação de avaliadores e aplicação de sanções a estabelecimentos que não cumpram padrões mínimos. A adopção de políticas públicas orientadas para a qualidade formativa é vista como essencial para recuperar a credibilidade do ensino superior em Angola.



