Desmantelado centro ilegal de mineração em Luanda

Resumo: Autoridades angolanas desmantelaram um grande centro clandestino de mineração de criptomoedas em Luanda, com milhares de processadores e forte impacto energético. Detidos incluem cidadãos chineses e angolanos.
Pontos-chave
As forças de segurança realizaram uma operação que levou ao desmantelamento de um estaleiro clandestino de mineração de criptomoedas em Luanda. Segundo o Serviço de Investigação Criminal, foram apreendidos milhares de dispositivos e equipamento de suporte, além de um posto de transformação ligado à rede pública. O caso evidencia a escala e o grau de organização por detrás desta actividade ilegal.
O SIC informou que cerca de dois a três mil processadores estariam instalados no local, com sistemas de ventilação industrial, cablagem especializada e logística associada. A presença de um posto de transformação de elevada capacidade ligado à rede pública torna clara a pressão exercida sobre a rede eléctrica, gerando riscos de sobrecarga e prejuízo para o abastecimento da comunidade local.
Na operação foram detidas dez pessoas, incluindo dois cidadãos de nacionalidade chinesa e oito angolanos. As autoridades destacaram a existência de protecções físicas e pessoal armado que dificultavam o acesso ao local, demonstrando um nível de segurança e organização que ultrapassa iniciativas amadoras. Investigações prosseguem para apurar cadeias de financiamento e responsabilidade criminal.
Especialistas alertam que, além do risco penal, a actividade tem implicações económicas e energéticas: consumo intensivo de energia sem retorno fiscal, risco de branqueamento de capitais e impacto na estabilidade da rede. A legislação aprovada em 2024 proibiu a mineração em Angola precisamente para mitigar estes efeitos, mas a persistência de centros clandestinos revela lacunas de fiscalização e atractividade económica do fenómeno.
As operações recentes mostram reincidência, com outro centro de grande escala desmantelado no início do ano no município de Viana. As autoridades apontam para redes organizadas que exploram o diferencial entre custo de energia local e rentabilidade global de activos digitais. A investigação visa desmantelar cadeias logísticas e responsabilizar os envolvidos, com apreensão de veículos e material de transporte.



