Primeiro tratamento vascular cerebral no Pedalé

Resumo: O Complexo Hospitalar Pedalé realizou o primeiro tratamento minimamente invasivo de patologias vasculares cerebrais em Angola, marcando o início de um programa nacional de Neurorradiologia de Intervenção.
Pontos-chave
Em 18 de fevereiro de 2026, no Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé”, foi executado o primeiro procedimento minimamente invasivo para tratar patologias vasculares cerebrais na rede pública angolana, uma intervenção coordenada por equipas locais com suporte pedagógico de um especialista brasileiro, desenhada para reduzir a necessidade de evacuações sanitárias e fortalecer a capacidade técnica interna.
O projecto nacional de Neurorradiologia de Intervenção visa integrar diagnóstico e terapêutica avançada no serviço público, permitindo tratar aneurismas, malformações arteriovenosas e fístulas com técnicas endovasculares que minimizam riscos cirúrgicos; espera-se também reduzir significativamente tempos de internamento, acelerar recuperações e capacitar profissionais angolanos através de programas práticos de formação e supervisão.
Segundo notas oficiais, o Estado suportava custos elevados com evacuações para o exterior, superiores a 200 mil dólares por paciente, incluindo transporte e internamento; com a implementação do serviço no CHGEPMTP, o investimento inicial estimado foi de cerca de 50 milhões de kwanzas, projetando uma poupança pública superior a 75% e maior proximidade familiar durante o tratamento dos doentes.
A equipa foi liderada pelo neurorradiologista brasileiro Clayton Carlos, trabalhando em colaboração com especialistas do CHGEPMTP, como o chefe do Serviço de Neurocirurgia Wilson Teixeira e o chefe do Serviço de Radiologia Celestino Delgado; durante a fase inicial planeiam‑se 12 intervenções para pacientes entre 10 e 60 anos, com protocolos adaptados a cada faixa etária e perfil clínico.
A iniciativa insere‑se no Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial e coordenado pela Unidade de Implementação do Projecto (PFRHS‑UIP); além do impacto clínico e financeiro, o projecto tem objetivo pedagógico claro de consolidar capacidades locais e reduzir dependência externa em tratamentos neurovasculares complexos.


